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Guerra do Irã eleva custos e turva perspectivas

Guerra no Irã eleva custos de transporte e de matérias-primas, interrompe cadeias globais e agrava a confiança do consumidor

Preços do barril de petróleo oscilavam acima dos US$ 100 nesta quarta-feira (22)
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  • A guerra entre EUA/Israel e Irã elevou custos de transporte e de matérias-primas, com interrupção no estreito de Ormuz elevando a incerteza das cadeias de suprimentos.
  • Empresas de bens de consumo, viagens e mineração revisaram previsões, em meio a pressão de custos e demanda fraca, com impactos ainda por vir.
  • AkzoNobel informou alta prevista na cesta de matérias-primas, entre 17% e 19%, impactando os próximos dois trimestres; ações seguiram em alta.
  • Danone manteve a projeção anual, ainda que tenha registrado pressões na cadeia de suprimentos e recall de fórmula; Reckitt reduziu expectativa de receita e viu ações cair.
  • Setor de viagens e recursos naturais mostraram efeitos: TUI revisou lucros e receita; United Airlines projetou resultados abaixo das estimativas; South32 cortou a previsão devido a chuvas e ao ciclone, aumentando a leitura de incerteza.

Empresas de consumo, turismo e mineração indicaram nesta quarta-feira (22) que a guerra entre EUA e Israel contra o Irã eleva custos, interrompe cadeias de suprimentos e reduz a confiança do consumidor. O estreito de Ormuz, passagem de cerca de 20% do petróleo mundial, é o principal ponto de pressão.

Executivos destacaram que tarifas já elevavam custos e que o conflito agrava insumos e transporte. A AkzoNobel, fabricante das tintas Dulux, informou queda de margem, mas superou expectativas com preços maiores e cortes de custo.

Mesmo com intervenções para manter previsões, o quadro permanece frágil: maior peso dos fretes, menos visibilidade sobre negócios e demanda afetada pela incerteza geopolítica.

Remessas interrompidas

A Reuters acompanhou comunicados de empresas desde o início do conflito. Vinte e uma retiraram ou reduziram projeções; 32 sinalizaram aumentos de preço; 31 alertaram para impactos financeiros. Setores variam de bens de consumo a aeroespacial.

A Danone mostrou pressão em cadeias de suprimentos, com crescimento no trimestre acima das expectativas, mas menor frente ao fim do ano. A empresa citou interrupções pela guerra e recall de fórmula para bebê na Europa, com remessas afetadas.

A Reckitt, dona de Dettol, não atingiu as metas de receita líquida e prevê margens menores no 1º semestre, citando petróleo alto e menor demanda de itens para gripe. As ações caíram mais de 5%.

Impactos setoriais

Empresas de viagens sofrem pelo custo do combustível e pela menor confiança do consumidor. A TUI revisou previsão de lucro operacional e suspendeu a projeção de receita, citando visibilidade limitada pela guerra.

A United Airlines projetou lucros no 2º trimestre e no ano abaixo das estimativas de Wall Street, diante da pressão de demanda e de custos operacionais mais altos.

Recursos naturais e incerteza

A mineradora South32 revisou a projeção anual de sua unidade de manganês na Austrália, em meio a chuvas fortes e ao ciclone Narelle. A empresa disse monitorar o conflito no Oriente Médio e suas consequências de frete e preços de insumos.

A South32 afirmou ter implementado medidas para mitigar impactos na cadeia de suprimentos. Não há indicativo de escassez de diesel. O monitoramento segue intenso entre investidores.

Perspectivas de curto prazo

Executivos de GE Aerospace afirmaram que projeções mudariam com menor grau de incerteza. A empresa sinalizou que o Brent acima de US$ 100 sustenta custos de combustível e margens.

A 3M avisou que petróleo alto pode levar a ajustes de preços, caso o cenário permaneça estável. As atenções permanecem na duração do conflito e na reabertura do estreito de Ormuz.

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