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Mina de terras raras no Brasil vale bilhões e revela quem está por trás

Venda da Serra Verde por US$ 2,8 bilhões posiciona Minaçu como base da cadeia global de terras raras fora da Ásia, com contrato de quinze anos

Usina de mineradora Serra Verde, no interior de Goiás. Empresa é a única que produz terras-raras no Brasil (Serra Verde/Divulgação)
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  • A Serra Verde foi vendida por US$ 2,8 bilhões para a USA Rare Earth, tornando-a a única produtora em escala fora da Ásia de terras raras para ímãs permanentes. A operação fica em Minaçu, Goiás, e a transação depende de aprovações regulatórias, com fechamento previsto para 2026.
  • A mina já funciona desde 2024, com investimento superior a US$ 1,1 bilhão, e deve alcançar capacidade plena até 2027, respondendo por mais de metade da oferta de terras raras pesadas fora da China.
  • A jazida Pela Ema, de argila iônica, permite extrair terras raras com processos mais simples, o que ajuda a posição da Serra Verde no mercado global.
  • O conselho é chefiado por Mick Davis; a operação é liderada por Thras Moraitis, e no Brasil quem comanda é Ricardo Grossi, com passagem pela Vale e CSN. Grossi ressaltou a necessidade de previsibilidade regulatória para o setor no Brasil.
  • O acordo prevê um contrato de fornecimento de quinze anos para vender 100% da produção inicial, com preços mínimos para disprósio e térbio, visando reduzir riscos e facilitar a expansão.

A mineradora Serra Verde, baseada em Minaçu, Goiás, foi vendida por 2,8 bilhões de dólares para a empresa americana USA Rare Earth. O negócio, anunciado nesta semana, depende de aprovações regulatórias e deve ser fechado em 2026. A operação brasileira fica no centro da agenda global de terras raras.

A Serra Verde nasceu em 2010 para explorar Pela Ema, uma jazida de argila iônica. Investidores estrangeiros ajudaram a financiar o projeto desde o início, entre eles Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy & Minerals Group. A produção começou em 2024.

A mina em Goiás é apresentada como a única operação em escala fora da Ásia capaz de fornecer quatro elementos usados em ímãs permanentes. A esperança é alcançar a capacidade total até 2027 e ampliar o fornecimento fora da China.

Da operação brasileira à parceria global

O conselho é chefiado por Mick Davis, ex-CEO da Xstrata, com Thras Moraitis à frente da operação. No Brasil, Ricardo Grossi comanda a gestão, tendo passado por Vale e CSN. Grossi destaca o papel do Brasil na diversificação de terras raras.

A joint venture com a USA Rare Earth pretende integrar mineração, separação e fabricação de ímãs, com ativos no Brasil, EUA, França e Reino Unido. A ideia é criar uma cadeia de suprimentos menos dependente da Ásia.

Contrato de fornecimento a longo prazo

O acordo prevê 15 anos de venda da produção inicial, com preços mínimos para minerais como disprósio e térbio. Segundo Moraitis, esse arranjo reduz riscos e sustenta investimentos na expansão da operação.

Grossi aponta impactos locais, incluindo empregos e arrecadação em Minaçu e em Goiás. A transação busca manter fluxo de caixa e diminuir a exposição a oscilações de preço do mercado.

Contexto global das terras raras

A operação brasileira surge em meio a uma disputa global por cadeias de suprimento fora da China. Estados Unidos e aliados buscam reduzir a dependência de minerais críticos, especialmente para tecnologia, energia e defesa.

A Serra Verde passa a integrar uma estrutura internacional, conectando exploração brasileira a indústrias de tecnologia fora do país. A dinâmica reforça o papel de Goiás e do Brasil em cadeias de suprimentos estratégicas.

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