- Datafolha aponta que 21% dos brasileiros estão com dívidas em atraso junto a bancos e financeiras; 28% não pagam em dia serviços como telefone, IPTU, luz e água, totalizando potencialmente 49% com atraso ou aperto financeiro.
- O índice de aperto financeiro aponta que 45% das famílias vivem em situação séria ou severa.
- Serasa Experian indica 81,7 milhões de brasileiros com dívidas não pagas, somando R$ 539 bilhões (39% da população), representando mais de 4% do PIB; comparação com fevereiro de 2023 mostra crescimento de quase 16% no número de endividados.
- Procon-SP revela que quatro em cada dez pessoas se endividaram após começar a acessar sites de jogos e apostas on-line.
- Fatores explicativos incluem 66% sem reserva financeira, juros elevados (acima de 14% há doze meses) e oferta de crédito fácil via fintechs e bancos digitais; especialistas mencionam o conceito de “dor do pagamento” para entender o comportamento de consumo.
O tema endividamento ganhou relevância com dados recentes que sinalizam alta de inadimplência entre brasileiros. Relatórios de fontes oficiais indicam queda de renda ou aumento de gastos, especialmente em ano eleitoral, com propostas de renegociação de dívidas e possível liberação de recursos do FGTS.
Um levantamento do Datafolha, divulgado neste fim de semana, mostra que 21% estão com dívidas em atraso junto a bancos e financeiras. Além disso, 28% não pagam as contas básicas no prazo, elevando o total potencial a 49%.
A pesquisa aponta que 45% vivem em aperto financeiro grave segundo um índice que mede restrições de consumo e atraso de pagamentos. Em fevereiro, a Serasa aponta 81,7 milhões de inadimplentes, com dívida total de R$ 539 bilhões, correspondendo a 39% da população.
Comparação anual revela aumento de quase 16% no número de endividados em relação a fevereiro de 2023, com crescimento anual acima de 5%. O Procon-SP acrescenta que quatro em cada dez endividaram-se após usar sites de jogos e apostas online.
Dor do pagamento e consumo
A facilidade de crédito digital amplia opções de crédito, com cartões e linhas pré-aprovadas acessíveis via apps. No entanto, especialistas ressaltam que a experiência de pagamento pode reduzir a percepção de custo, estimulando o gasto.
O conceito de *pain of payment* explica por que pagar é percebido como perda pelo cérebro, desencadeando dor associada ao ato de desembolsar. Pesquisas com fMRI mostram maior dor com dinheiro físico do que com cartão de crédito.
Essa dinâmica alimenta o endividamento, já que a fricção do pagamento diminui, abrindo espaço para consumo maior. Bancos e fintechs são citados como grandes responsáveis pela bancarização acelerada e pelo aumento do crédito disponível.
A Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021) buscou endurecer condições de concessão, mas especialistas apontam necessidade de tornar a jornada do cliente mais complexa: mais cliques, confirmações e alertas para frear o impulso de endividamento.
Hudson Bessa, economista e professor, destaca que a função pública e reguladores devem promover práticas mais transparentes na concessão de crédito, com foco em proteger consumidores. A atuação exige monitoramento contínuo.
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