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Brasil na Hannover Messe: entre entusiasmo e entregas econômicas

Brasil amplia espaço político e econômico na Hannover Messe, anunciando quase dois bilhões de euros em hidrogênio de baixo carbono, sujeito a regulação e financiamento estável

Laudemir André Müller, presidente da ApexBrasil, Lula e Merz
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  • A Hannover Messe de 2026 teve presença de Lula e foco em anúncios de investimentos e transição energética, com destaque para cerca de 2 bilhões de euros em projetos de hidrogênio de baixo carbono e derivados no Rio Grande do Norte.
  • Empresas como Siemens e Thyssenkrupp participam do investimento, articulado pela ApexBrasil, visando produção de hidrogênio, amônia verde, e-metanol e ureia; ainda há dúvidas sobre a viabilidade sem regulação estável e financiamento de longo prazo.
  • Politicamente, o Brasil buscou se posicionar como ator relevante na indústria global da transição energética, mas muitos entenderam a feira como plataforma de sinalização de intenções, não de contratos já fechados.
  • O presidente da ApexBrasil, Laudemir André Müller, aponta otimismo cauteloso e destaca assimetrias de percepção entre Brasil e Europa, além de citar crescimento do comércio exterior brasileiro (exportações de US$ 180 bilhões há dez anos para US$ 350 bilhões no último ano).
  • Müller também vê acordos comerciais como elementos de equilíbrio, mencionando o acordo entre Mercosul e União Europeia com redução tarifária para 543 produtos e estimativa de cerca de US$ 1 bilhão em exportações adicionais no primeiro ano, e reforça que o Brasil passa a ser visto como fornecedor de soluções industriais, não apenas de commodities.

Na Hannover Messe 2026, o Brasil buscou ampliar seu espaço político e econômico no debate global sobre transição energética. A presença do presidente Lula, recebida com cerimônia pelo chanceler alemão Friedrich Merz, acompanhou uma agenda de anúncios de investimentos e soluções industriais. O movimento reforçou a visibilidade brasileira no principal palco da indústria, mas também evidenciou a distância entre promessa e entrega.

O destaque ficou para o acordo de cerca de 2 bilhões de euros em investimentos em hidrogênio de baixo carbono e seus derivados, envolvendo Siemens, Thyssenkrupp e a ApexBrasil. O projeto, com base no Rio Grande do Norte, prevê produção de hidrogênio, amônia verde, e-metanol e ureia, integrando a estratégia brasileira nas cadeias globais da economia verde. Analistas destacam a necessidade de estrutura regulatória estável, financiamento de longo prazo e demanda previsível para realização em escala.

Politicamente, o tom foi de reposicionamento do Brasil como ator relevante na indústria global de transição energética. Entre participantes, a leitura comum é de que a feira funcionou como plataforma de sinalização de intenções, mais do que contratos imediatos. A ApexBrasil ressalta ganhos de visibilidade, com avaliação de que maturação dos projetos ainda é incerta.

Para Laudemir André Müller, presidente da ApexBrasil, há perspectivas positivas, mas dependência de tempo de maturação. Ele aponta diferenças de percepção entre Brasil e Europa no debate econômico e regulatório, citando o modelo agrícola tropical como ponto de atrito. Müller comenta que a Europa tende a usar padrões próprios para avaliar o Brasil.

O executivo também destaca que, mesmo em cenário global desafiador, o comércio exterior brasileiro mantém trajetória de crescimento, com exportações aumentando de US$ 180 bilhões há dez anos para cerca de US$ 350 bilhões no último exercício. O acordo Mercosul-UE é citado como fator de impacto imediato, com potencial de redução tarifária para 543 produtos e estimativa de US$ 1 bilhão em exportações adicionais no primeiro ano.

Ainda segundo Müller, parte da percepção internacional sobre o Brasil está em transição: o país passa a ser visto como fornecedor de soluções industriais, não apenas de commodities, em áreas como biocombustíveis, inteligência artificial e minerais críticos. Ele acrescenta que acordos comerciais tendem a sustentar-se por mecanismos de equilíbrio, como cotas e fases de implementação.

Em síntese, a participação brasileira ampliou o espaço político e econômico no debate global sobre transição energética. O desafio persiste: transformar anúncios de alto impacto simbólico em projetos executados, com financiamento estável e sustentabilidade a longo prazo.

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