- Consumo dos brasileiros em supermercados subiu 1,92% no primeiro trimestre de 2026, segundo a Abras. Deflacionado pelo IPCA, o dado engloba todos os formatos de supermercados.
- Em março, o consumo foi 6,21% maior que em fevereiro e 3,20% superior ao de março do ano anterior.
- A Abras aponta que a alta teve efeito de antecipação de compras para a Páscoa e de entrada de recursos na economia, com o Bolsa Família beneficiando cerca de 18,73 milhões de lares e PIS/PASEP completando o segundo lote de pagamentos.
- O indicador Abrasmercado mostrou alta de 2,20% em março; a cesta média passou de R$ 802,88 para R$ 820,54, com elevações em feijão (+15,40%) e leite longa vida (+11,74%).
- Região Nordeste registrou a maior alta em março, de 2,49%, com a cesta passando de R$ 720,53 para R$ 738,47; o segundo trimestre pode manter o ritmo devido ao 13º salário e a restituições do Imposto de Renda.
O consumo dos brasileiros em supermercados cresceu 1,92% no primeiro trimestre de 2026, segundo balanço da Abras divulgado nesta quinta (23). Em março, houve alta de 6,21% em relação a fevereiro, e 3,20% frente a março de 2025. Os números são deflacionados pelo IPCA.
Abertura de meses com a Páscoa ajudou o desempenho, considerando também o efeito calendário de fevereiro, com menos dias. A Abras aponta ainda o aporte de recursos na economia, como o Bolsa Família, que atingiu 18,73 milhões de lares com R$ 12,77 bilhões, e o segundo lote do PIS/PASEP em torno de R$ 2,5 bilhões.
Cesta de compras mais cara
O Abrasmercado indicou alta de 2,20% em março, elevando o valor médio da cesta de R$ 802,88 para R$ 820,54. Entre os itens básicos, feijão teve alta de 15,40% e leite longa vida, 11,74%.
No trimestre, o feijão subiu 28,11% e o leite 6,80%. Massas, margarina e farinha de mandioca também tiveram elevações, respectivamente 0,91%, 0,84% e 0,69%. Entre as quedas, açúcar refinado caiu 2,98%, café 1,28% e óleo de soja 0,70%.
Entre proteínas, ovos avançaram 6,65% e carne bovina teve alta tanto no traseiro (3,01%) quanto no dianteiro (1,12%). Frango congelado (-1,33%) e pernil (-0,85%) recuaram no mês. No acumulado, o traseiro bovino subiu 6,29%.
Alimentos in natura e higiene
Entre itens in natura, tomate subiu 20,31%, cebola 17,25% e batata 12,17%, com altas acumuladas de 45,43%, 14,06% e 14,04%, respectivamente. Nos itens de higiene, sabonete (+0,43%), xampu (+0,34%), papel higiênico (+0,30%) e creme dental (+0,13%).
No grupo de limpeza, detergente para louças avançou 0,90%, desinfetante 0,74% e água sanitária 0,38%. O sabão em pó registrou queda de 0,29%.
Variação regional
A maior alta regional ocorreu no Nordeste, com cesta passando de R$ 720,53 para R$ 738,47 (variação de 2,49%). Sudeste subiu 2,20% (R$ 822,76 para R$ 840,86). Sul, Centro-Oeste e Norte tiveram alta entre 1,82% e 1,92%.
Expectativas para o segundo trimestre
A Abras estima alta de consumo no segundo trimestre, impulsionada pela antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas, com depósitos esperados de R$ 78,2 bilhões para 35,2 milhões de segurados.
Além disso, o primeiro lote de restituições do IR 2026 pode chegar a R$ 16 bilhões para cerca de 9 milhões de contribuintes em maio. A entidade ressalta foco em preços estáveis, eficiência operacional e logística.
Abras prevê ainda risco de alta em alguns alimentos sensíveis a frete e clima, devido ao encarecimento do transporte e do petróleo, o que pode impactar a cadeia de reposição.
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