- O custo de importação da gasolina subiu 61% desde o início da guerra no Irã, segundo a ANP.
- O governo anunciou, nesta quinta-feira (23), plano de usar receitas com petróleo para reduzir PIS/Cofins sobre gasolina e etanol.
- A paridade de importação da gasolina subiu cerca de 60%, de R$ 2,45 para R$ 3,95 por litro, na última semana.
- A Petrobras ainda não anunciou reajuste, mas o mercado espera após eventual corte de impostos; o diesel já teve alta após a isenção.
- As importações de gasolina respondem por cerca de 10% da demanda, e há possibilidade de substituição por etanol diante do cenário de preços elevados.
A queda de braço entre o mercado de petróleo e o cenário internacional segue impactando o preço da gasolina no Brasil. A ANP aponta que o custo de importação da gasolina subiu 61% desde o início da guerra no Irã, medida pela paridade de importação. O efeito direto deve aparecer na prática conforme o governo reajusta tributos.
O governo anunciou, nesta quinta-feira (23), um plano para usar receitas com petróleo para reduzir PIS/Cofins do combustível. A ideia é compensar impactos fiscais com a alta do petróleo, ajudando consumidores e mantendo o abastecimento estável. Representantes oficiais não detalharam valores.
Ainda sem mudança de preço anunciada pela Petrobras, o mercado aguarda o desfecho de eventual corte de impostos, que já ocorreu para o diesel após o início do conflito. O diesel registrou alta nas refinarias após a isenção tributária, elevando o preço ao consumidor.
Paridade de importação e impactos no mercado
A paridade de importação da gasolina subiu para R$ 3,95 por litro, ante R$ 2,45 na semana anterior aos ataques. A elevação representa um aumento de cerca de 60% nesse intervalo, segundo cálculos da ANP. A diferença entre o preço de referência interna e a paridade tende a influenciar a formação de preços nas refinarias.
Na abertura do mercado, a gasolina nas refinarias parecia custar menos em relação à paridade calculada pela Abicom. A Petrobras não comentou sobre mudanças imediatas de preços, reiterando política de preços que não acompanha volatilidades de curto prazo. Mudanças ocorrem quando as cotações se estabilizam.
Analistas esperam volatilidade contínua, com cenários de curto prazo ainda dependentes do desfecho do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã. O Brent opera acima de US$ 100 por barril, contrariando previsões que apontavam patamares menores.
Perspectivas e medidas do governo
O custo de importação de gasolina pode pressionar margens da Petrobras, principal vendedora no país. O setor admite que o ambiente internacional não deve se normalizar rapidamente, mesmo com possibilidade de acordos diplomáticos.
O governo aposta na substituição entre gasolina e etanol diante de eventuais novos ajustes de oferta. Em meio ao cenário, o programa de subsídio visa manter preços estáveis com teto de venda determinado pela ANP, embora com dúvidas sobre cobertura e participação de grandes empresas.
O diesel continua relevante para o abastecimento, especialmente pela dependência de importações. O governo busca equilíbrio entre manter o abastecimento, conter impactos no preço final e cumprir metas fiscais, frente a incertezas globais.
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