- Estudo conjunto do Financial Times e Focaldata mostra que mais de 60% dos trabalhadores com maiores salários usam IA diariamente, enquanto 16% dos de menor renda adotam a tecnologia.
- A pesquisa, que ouviu quatro mil trabalhadores nos Estados Unidos e no Reino Unido, aponta disparidades persistentes de gênero, com homens usando IA com mais frequência do que mulheres em setores como tecnologia, educação e varejo.
- Trabalhadores mais qualificados são os que mais utilizam IA, e as diferenças de uso ocorrem mais entre ocupações do que dentro delas. Profissões como advogados, contadores e desenvolvedores de software apresentam uso elevado independentemente da experiência.
- A relação entre remuneração, educação e uso de IA sugere potencial de aumento da desigualdade salarial, já que a tecnologia beneficia mais quem é produtivo e qualificado.
- A pesquisa também indica que mulheres são cerca de 20% menos propensas a usar IA do que homens, e que profissionais na faixa dos 30 anos com mais experiência costumam ser os mais frequentes usuários.
O estudo realizado pelo Financial Times (FT) em parceria com a empresa de pesquisa Focaldata aponta grande desigualdade na adoção de IA no mercado de trabalho. Entre 4.000 trabalhadores entrevistados nos EUA e no Reino Unido, mais de 60% dos profissionais com salários elevados usam IA diariamente, contra 16% entre os de menor renda. A pesquisa acompanha o ritmo de uso, produtividade e barreiras, oferecendo um panorama sobre quem se beneficia mais.
Os dados indicam que trabalhadores mais qualificados lideram a adoção, com diferenças marcadas entre ocupações. Advogados, contadores e desenvolvedores de software utilizam IA em patamares elevados, independentemente da experiência. Ainda assim, a disparidade entre alta e baixa remuneração persiste, sugerindo impactos na distribuição de ganhos e oportunidades.
Desigualdade de gênero e idade
A pesquisa mostra maior propensão masculina ao uso de IA em setores como tecnologia, educação e varejo. Mulheres são 20% menos prováveis de usar IA, ainda sem explicação definitiva para a diferença. Estudo cita treinamento específico para reduzir lacunas. Em ações recentes, sessões para trabalhadoras acima de 55 anos aumentaram o uso diário.
Outra constatação envolve a faixa etária dos usuários mais frequentes, que não são os mais jovens, mas profissionais na casa dos 30 anos com maior experiência. Economistas destacam que a IA tende a complementar a proficiência, elevando a produção de especialistas já estabelecidos.
Implicações para o mercado de trabalho
Especialistas ressaltam que a adoção pode ampliar a distância entre empregos de entrada e funções mais qualificadas. Há preocupação de que a IA aumente a desigualdade salarial ao favorecer trabalhadores mais produtivos e com maior formação. O tema ganha relevância para políticas de formação e atualização de skills.
Os autores do estudo destacam ainda que padrões observados na adoção de IA lembram a revolução dos computadores pessoais, mas enfatizam que a velocidade de fechamento das disparidades depende de acesso à educação e treinamento. O relatório completo está disponível para leitura.
Fontes: Financial Times e Focaldata.
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