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Latache avança disputas societárias entre Usiminas, Oncoclínicas e BRF-Marfrig

Latache Capital avança em Usiminas com até dois indicados e voto múltiplo, mantendo ativos de cerca de R$ quatro bilhões e estratégia centrada em litígios para retorno

Renato Azevedo, da Latache: “Se você acha que vai entrar em litígios contra empresas grandes e será tudo um mar de rosas, não vai ser”
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  • Latache Capital tem cerca de 5% das ações ordinárias da Usiminas, indicou dois candidatos ao conselho e pediu voto múltiplo; a AGE para definir o novo board está marcada para 23 de abril.
  • A gestão do fundo Vera Cruz, que sustenta a posição, passou a ser formalizada pela Latache em 6 de abril; a gestora diz ter decidido manter perfil discreto para evitar alarde.
  • A Latache atua em special situations com foco em “claim” (reivindicações legais) para maximizar retorno, sem buscar controlar as empresas investidas; mantém disciplina e monitoramento constante dos casos.
  • Além da Usiminas, a Latache tem participação na Oncoclínicas (cerca de 14,6%) ligada à OPA envolvendo Goldman Sachs e a gestora Centaurus, e acompanha a disputa com a Mak Capital; a venda da participação não está nos planos até o desfecho do processo.
  • Em BRF e Marfrig, a Latache questionou a relação de troca na fusão e permanece em arbitragem na B3; a empresa afirma não abandonar posições até a resolução, mantendo foco em retorno aos cotistas.

A Latache Capital, gestora de special situations, pode estrear como acionista ativista na Usiminas. A indicação de dois nomes para o board, com a possibilidade de voto múltiplo, foi anunciada perto da AGE marcada para 23 de abril. A gestão do fundo Vera Cruz, que detém cerca de 5% das ações ordinárias, está nas mãos da Latache desde 6 de abril.

Segundo Renato Azevedo, fundador e CEO, a Latache não atua de forma passiva. A estratégia prioriza o acompanhamento próximo dos casos e a maximizacão do retorno, mesmo quando envolve disputas societárias. A equipe trabalha para alinhar teses com a melhoria de governança e de estrutura de capital.

A Latache atua há mais de uma década no Brasil, com histórico em casos que geraram litígios envolvendo empresas como Oncoclínicas e Marfrig/BRF. A gestora diz manter o foco em operações que ofereçam retorno desproporcional ao risco, sem objetivo de controladoria.

Perfil e estratégia

Azevedo explica que o ativismo da Latache não visa confronto automático, mas buscar condições que gerem valor para os cotistas. O portfólio atual soma cerca de R$ 4 bilhões, com atuação em dívidas, ações e requerimentos legais para sustentar seus claims.

A equipe da Latache conta com 15 profissionais, incluindo três advogados internos. O trabalho conjunto entre jurídico e investidor é destacável, visando estratégias que combinem ganhos financeiros e defesa de teses legais.

Oncoclínicas, Marfrig e BRF

Na Oncoclínicas, a Latache participou da estruturação que levou à saída do fundador Bruno Ferrari, mantendo participação relevante sem visar controle. A tese central envolve a OPA e o eventual retorno do foco estratégico da companhia. O ajuste no quadro societário continua a ser discutido na Câmara Arbitral.

Quase ao mesmo tempo, a Latache envolveu-se na relação de troca entre BRF e Marfrig, ainda em análise pela arbitragem da B3. A gestora diz ter identificado inconsistências na proposta de troca e mantém a posição de venda ou de negociação conforme o desfecho do pleito.

Observação sobre o mercado de litígios

A Latache afirma acompanhar de perto cada caso, de forma contínua, e manter a disciplina de investimento. A atuação não depende de ações rápidas nem de disputas políticas; o objetivo é manter a liquidez e o retorno ajustado ao risco.

O fundador descreve o mercado de special situations como espaço pouco explorado no Brasil, com possibilidade de ganhos superiores aos riscos, desde que a teses sejam bem avaliadas. A Latache já prevê recados de contrapartes por meio de cartas e emissários, prática comum em disputas corporativas.

Estrutura de atuação e captação

A Latache não opera com captação ativa em plataformas de terceiros; privilegia relações diretas com investidores. A maior parte do capital de terceiros vem de single family offices, com participação de quase 80%, complementada por gestores multifamily. Os sócios respondem por cerca de 25% do capital total.

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