- O texto afirma que limitações estruturais da indústria tradicional reduzem a capacidade de gerar alpha em multimercados, e que mais mercados e estratégias ajudam nisso.
- Operações com cota diária, horários fixos e liquidação em D+2 são vistas como defasadas; ETFs ganham espaço por maior transparência, liquidez e precificação contínua.
- Hoje o universo de ativos para gestores é restrito a ações, futuros e opções lineares; cripto é pouco acessado e há espaço para instrumentos como opções binárias, futuros perpétuos e mercados de previsão.
- A automação é apontada como essencial, incluindo robôs de execução, controle de risco automatizado, limites dinâmicos e APIs que conectam diversos mercados.
- O artigo sugere que traders independentes, com infraestrutura básica e IA, podem competir com grandes mesas, levantando perguntas sobre o custo do sistema tradicional e o que leva mais valor aos investidores.
A indústria de fundos multimercados ativos enfrenta limitações estruturais que dificultam a geração de alpha, mesmo em um cenário de juros mais baixos. Analistas apontam que o desafio não reside apenas na taxa Selic, mas na própria arquitetura do mercado tradicional.
Segundo especialistas, operar apenas em dias úteis, com liquidação em D+2, reduz a rapidez de ajuste diante de eventos globais. Enquanto o cripto já liquidou em segundos, o mercado tradicional mantém rigidez que impede respostas rápidas a mudanças.
Além disso, a cara de precificação de cotas diárias limita a transparência e a agilidade dos investidores. Em uma era de precificação contínua, ETFs ganham espaço, enquanto fundos ativos enfrentam pressão de liquidez e visibilidade.
Limitações de ativos e alavancas
O leque de ativos disponíveis para gestores tradicionais permanece restrito a ações, futuros e opções lineares. Cripto costuma ter oferta limitada de produtos, com exposição restrita a alguns tokens relevantes.
Outras possibilidades, como opções binárias e futuros perpétuos, já movimentam volumes significativos em plataformas cripto, oferecendo maior flexibilidade para montar exposições direionais sem o rollover tradicional.
Prediction markets apresentam uma forma direta de negociar probabilidades, aplicáveis a decisões macro ou eventos regulatórios. Hoje, porém, esses instrumentos não são amplamente utilizados por gestores de multimercados no Brasil.
Automação e conectividade
A automação é apontada como requisito central para a gestão eficiente em 2026. Robôs de execução, controle de risco automatizado, limites dinâmicos e stops inteligentes ganham protagonismo, com APIs conectando diversos mercados, centralizados ou descentralizados.
Relatos de experiências indicam que ferramentas de automação permitem gestão mais eficiente, com menor dependência de decisões manuais e maior capacidade de operar em múltiplos ativos e geografias.
Desafios e cenários futuros
Profissionais do setor destacam que o diferencial entre grandes mesas de operações e traders independentes tem diminuído, com acesso a informações democratizadas, APIs bem documentadas e modelos avançados rodando em laptops. A integração entre diversas fontes de dados e plataformas é vista como o principal eixo de evolução.
Ainda não há consenso sobre o quanto o sistema tradicional pode evoluir sem perder sua governança. Pesquisas apontam que o custo da segurança e da infraestrutura pode crescer se não houver adaptação a novas tecnologias e mercados.
Impacto para investidores
Especialistas indicam que a maior disponibilidade de ativos, regras de execução mais rápidas e modelos de decisão integrados podem ampliar as oportunidades de alpha. Contudo, a transição depende da adoção de tecnologia, regulação e aceitação de modelos de risco mais dinâmicos.
As discussões continuam sobre como equilibrar segurança, eficiência e inovação, de modo a manter a neutralidade, evitar vieses e assegurar a veracidade das informações disponibilizadas aos investidores.
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