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Países observam impacto de longo prazo da guerra no Irã

Guerra no Irã eleva custos de produção e inflação; Europa contrai, Ásia antecipa produção, tecnologia e finanças resistem ao choque

Fábrica de tintas em Ansan, Coreia do Sul. País teve crescimento mais rápido em seis anos por causa de antecipação de produção — Foto: REUTERS/Kim Hong-Ji
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  • A guerra no Irã aumenta custos de produção e pressiona a inflação global, ainda que a economia mundial tenha resistido até agora.
  • Na zona do euro, o índice de atividade caiu de 50,7 para 48,6, com o índice de preços de insumos subindo e o setor de serviços recuando para 47,4, abaixo do esperado.
  • Japão, Índia, Reino Unido e França indicaram ritmo maior de produção, sugerindo antecipação de produção pelas empresas diante de riscos de novas disrupções.
  • A Coreia do Sul teve crescimento mais rápido em quase seis anos, impulsionado pelas exportações de chips, enquanto tecnologia e finanças mostram resistência.
  • O futuro depende do Estreito de Ormuz; o FMI cortou a previsão de crescimento global para 3,1% neste ano, e há risco de deterioração caso os gargalos persistam.

A guerra no Irã aumenta as pressões sobre a inflação global e o abastecimento, segundo indicadores antecedentes divulgados nesta quinta-feira (23). A elevação dos custos de energia já impacta fábricas, serviços e perspectivas de crescimento em várias regiões, ainda que a resiliência tenha se mantido em boa parte da economia.

Os resultados de pesquisas da S&P Global com gerentes de compras apontam para um recuo da atividade na zona do euro, com o índice principal caindo de 50,7 em março para 48,6 em abril. O indicador de preços de insumos subiu, evidenciando custos de produção mais altos para fábricas da região.

Paralelamente, o PMI mostrou resistência em alguns mercados. Japão, Índia, Reino Unido e França registraram produção acima do esperado, sugerindo antecipação de fabricação diante de riscos de interrupções na cadeia de suprimentos. Japão teve expansão forte da indústria pela primeira vez desde 2014.

Na Coreia do Sul, o crescimento foi impulsionado pela recuperação das exportações de chips, marcando o melhor desempenho de quase seis anos. Nos EUA, o setor de tecnologia continua a dinamizar lucros, com o interesse em investimentos em IA apoiando a atividade. No Reino Unido, a oscilação dos mercados manteve a volatilidade observada no primeiro trimestre.

O London Stock Exchange Group reportou receita recorde no primeiro trimestre, impulsionada pela maior atividade de negociação, e espera manter o crescimento anual acima da faixa central. Em paralelo, companhias globais, como Danone e Otis Worldwide, sinalizaram impactos logísticos ligados ao conflito no Oriente Médio.

O contexto atual envolve o Estreito de Ormuz, cuja continuidade de gargalos no transporte marítimo pode ampliar pressões inflacionárias e afetar cadeias de suprimentos. O FMI reduziu a previsão de crescimento global para 3,1% em 2026 e avisa para cenários mais desafiadores caso as interrupções persistam.

Especialistas indicam que choques energéticos anteriores deixaram efeitos persistentes sobre inflação, investimento e produção de energia. Uma parcela de empresas pesquisadas estima que os impactos devem acompanhar o ritmo até o fim deste ano, elevando o risco de ajuste duro no sentimento do mercado.

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