- A Polícia Federal deflagrou a Operação Moral Hazard contra institutos de previdência estaduais, e o Iprem de Santo Antônio da Posse (SP) é um dos 18 regimes que investiram em letras financeiras do Banco Master.
- O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro anterior, e seu dono, Daniel Vorcaro, está preso sob suspeita de fraudes.
- Os 18 entes subnacionais investiram ao menos 1,9 bilhão de reais em letras financeiras do Master; o Rioprevidência liderou com 970 milhões de reais.
- O Amprev, fundo de previdência de Amapá, aplicou cerca de 400 milhões de reais, e o Amazonasprev informou 50 milhões de reais investidos; ambos enfrentaram operações da PF.
- Investimentos no Master foram alvo de contestações de órgãos de controle, com investigações sobre irregularidades na gestão de recursos e possíveis violação de normas de governança.
Oito regimes de previdência investiram em letras financeiras do Banco Master, agora liquidado. A Polícia Federal deflagrou a Operação Moral Hazard nesta quinta-feira para apurar irregularidades envolvendo fundos municipais e estaduais que aportaram recursos no banco de Daniel Vorcaro, preso sob suspeita de fraudes.
Ao todo, 18 regimes próprios de previdência, de três estados e 15 municípios, teriam aplicado recursos no Master. Os recursos somaram pelo menos R$ 1,9 bilhão em letras financeiras, segundo o Ministério da Previdência Social. O tipo de aplicação não conta com garantia do FGC.
O Iprem de Santo Antônio da Posse (SP) figure entre os alvos, conforme informações do MPS. O banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.
Maior investidor e recentes desdobramentos
O Rioprevidência, órgão do Rio de Janeiro que atende mais de 230 mil servidores, foi o maior investidor, com cerca de R$ 970 milhões. O montante representa quase 8% do total aplicado pelo Rioprevidência em letras do Master. Em fevereiro, o ex-presidente Deivis Marcon Antunes teve prisão temporária convertida em preventiva na Operação Barco de Papel.
A Amprev, previdência do Amapá, ficou em segundo lugar, com aproximadamente R$ 400 milhões em letras do Master. Em fevereiro, a PF deflagrou a Operação Zona Cinzenta para apurar irregularidades na gestão daquela casa previdenciária. O então diretor-presidente Jocildo Lemos deixou o cargo pouco depois.
O Amazonasprevidência, por sua vez, destina R$ 50 milhões a essas letras. Em março, a PF deflagrou a Operação Sine Consensu, com buscas e afastamentos de servidores, para investigar a gestão entre junho de 2024 e setembro de 2024. Relatórios indicam que o volume irregular poderia superar os R$ 50 milhões iniciais.
Contexto e avaliações de governos de controle
Relatórios do Tribunal de Contas do Estado do Rio questionam aplicações do Rioprevidência acima de R$ 2,6 bilhões, com parte dos recursos investidos entre maio e julho de 2025, quando já se conheciam falhas do banco. O Rioprevidência sustenta que não houve novos investimentos desde agosto de 2024.
O Master foi creditado com problemas de liquidez, levando à sua liquidação. Os entes públicos envolvidos enfrentam investigações que apuram gestão temerária, fraude e irregularidades na governança de investimentos de recursos previdenciários. As apurações seguem sob responsabilidade das autoridades federais.
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