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Quem vive na escala 6×1 há 10 anos relata impactos na vida

Jornada de 44 horas semanais na escala 6x1 impõe custo humano, com impactos na saúde mental e na vida familiar, caracterizando o regime como insustentável

Júlio César, vigilante em um shopping, e Rafaela Nascimento, vendedora em loja do setor de moda, atuam na escala 6x1 em São Paulo
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  • Ao menos 20 milhões de trabalhadores enfrentam escala 6×1, com 44 horas semanais ou mais, em lojas, shoppings e serviços, conforme o Ministério do Trabalho.
  • Relatos indicam o “custo humano” da jornada de seis dias por semana e da folga reduzida, impactando vida pessoal e saúde.
  • Rafaela Nascimento, vendedora, descreve rotina das 9h40 às 18h e folga aos domingos, enfrentando conflito familiar e desejo de mudar de escala.
  • Ela afirma que, sem tempo de descanso, fica difícil manter a produtividade e o cuidado com os filhos; trabalha para sustentar a casa.
  • Júlio César, vigilante, declara a escala 6×1 ser insustentável e hoje trabalha na escala 12×36, com menos remuneração, mas mais saúde e vida familiar.

Ao menos 20 milhões de trabalhadores no Brasil enfrentam jornadas de seis dias por semana, com 44 horas ou mais, segundo dados mais recentes do Ministério do Trabalho. Em lojas de roupas, shoppings e lanchonetes, a rotina 6×1 é comum e impacta saúde, família e produtividade. A reportagem acompanha relatos de quem vive essa escala e os efeitos no dia a dia.

Para quem encara a escala, o cotidiano começa cedo e termina tarde. Em muitos casos, o horário diário vai das 9h40 às 18h, com deslocamentos para casa e preparação para deixar os filhos na escola. O resultado é um ciclo sem tempo de descanso suficiente e com pouca margem para atividades familiares.

O custo humano dessa rotina é destacado por trabalhadores que narram conflitos familiares, cansaço constante e dificuldades de manter a qualidade de vida. A pressão por produtividade gira em torno de manter o emprego e sustentar a casa, mesmo diante do desgaste físico e mental.

A experiência de Rafaela Nascimento ilustra a situação. Mãe de dois filhos, há mais de uma década na área, Rafaela relata que é preciso trabalhar aos sábados e domingos para folgar outro dia da semana. O acúmulo de tarefas domésticas e a saída de casa pela manhã exigem organização que não deixa tempo para descanso.

Ela acredita que mais folga permitiria recuperação física, melhor desempenho no trabalho e maior disponibilidade para a família. Segundo Rafaela, a jornada atual a impede de ser proativa e de cuidar da saúde mental, aspectos que afetam a qualidade do serviço prestado.

Diversos relatos destacam a relação entre tempo livre e bem-estar. A falta de descanso adequado é apontada como agravante para a saúde mental, o que, segundo trabalhadores, se reflete também na performance diária. Há relatos de desgaste emocional e dificuldades de conciliar vida profissional e pessoal.

Júlio César, vigilante de um shopping em São Paulo, descreve a escala 6×1 como insustentável. Ele chegou a trabalhar nesse regime por dois anos, enfrentando sono insuficiente e longos deslocamentos. O resultado incluía problemas de saúde e impactos na vida familiar, incluindo um divórcio na época.

Atualmente, Júlio atua sob o regime 12×36, com 12 horas de trabalho seguidas por 36 horas de descanso. Ele afirma que, embora haja redução de renda, há ganhos significativos em saúde mental, físico e tempo para a família, evidenciando a diferença entre as duas escalas.

Dados oficiais apontam que a prática de jornadas de 6×1 persiste em diversos setores. Especialistas destacam a necessidade de equilíbrio entre produtividade e qualidade de vida, ressaltando que mudanças na escala podem reduzir impactos negativos sem comprometer a atuação empresarial.

Fontes: Ministério do Trabalho e relatos colhidos pela reportagem junto a trabalhadores dos setores de varejo, segurança e alimentação.

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