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Entenda as restrições a saques de grandes fundos no exterior

No Brasil, restrições a saques em fundos não devem ocorrer neste momento, devido a peculiaridades de liquidez e às regras da Comissão de Valores Mobiliários

Larry Fink, do BlackRock: os fundos de crédito ainda enfrentarão mais turbulência neste ano
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  • A onda de restrição de saques em grandes fundos de crédito no exterior não deve atingir o Brasil no momento, devido às peculiaridades do mercado local.
  • Nos Estados Unidos, o foco está nos Business Development Companies (BDC), fundos de crédito que emprestam a pequenas e médias empresas e passaram a enfrentar saques limitados por liquidez.
  • No Brasil, a CVM permite que gestores restrinjam saques em casos de iliquidez, mas isso ocorreu de forma excepcional, com casos recentes envolvendo os fundos Lótus HY, Lótus DI e Lótus IPCA, estruturados pela Empírica e adquiridos pela SRM.
  • Investidores brasileiros estão buscando soluções após corridas aos saques e a SRM convoca assembleia de cotistas para decidir o futuro dos fundos, com especulação de extinguí-los.
  • Mesmo com esses sinais, fundos nacionais costumam ter portfólios mais diversificados, regras de marcação a mercado mais rígidas e maior liquidez de ativos, o que reduz o risco de choque de calotes semelhante ao observado nos EUA.

Em meio à onda de restrições a saques em grandes fundos de crédito nos EUA, o Brasil não deve ser afetado no curto prazo, segundo especialistas. O caso envolve fundos de crédito privado com liquidez limitada e estratégias de desalavancagem.

No centro da discussão está o contraste entre operações nos Estados Unidos e no Brasil. Enquanto BDCs (Business Development Companies) restringem resgates diante de iliquidez, o mercado brasileiro utiliza regras da CVM para limitar saques apenas em situações excepcionais. A diferença de regime explica a menor pressão local por agora.

Nos EUA, o episódio voltou à tona por causa de fundos de crédito focados em pequenas e médias empresas. Esses veículos, pouco regulados, poderiam enfrentar dificuldades de liquidez quando os empréstimos são de longo prazo e exigem caixa para atender aos resgates. A volatilidade econômica contribui para esse cenário.

No Brasil, o quadro é considerado mais estável por enquanto. A CVM autoriza gestores a suspender saques em casos de iliquidez ou incompatibilidade entre pedidos de resgate e o caixa disponível, mas isso tem sido raro. Os exemplos recentes envolvem apenas três fundos estruturados pela Empírica, adquirida pela SRM.

Os fundos Lótus HY, Lótus DI e Lótus IPCA ficaram fechados para resgate desde 2023 devido à corrida de saques, que questionou sua solidez. A SRM informou que convocou assembleia de cotistas para avaliar a situação, com especulações sobre a extinção dos fundos e devolução de recursos remanescentes.

Ainda assim, investidores no Brasil permanecem atentos ao ambiente de crédito. Dados de 2025 apontam recorde de empresas em recuperação judicial, e sugestões indicam que muitos negócios não possuem caixa suficiente para pagar dívidas, dadas as altas taxas de juros. Isso aumenta a cautela com fundos de crédito.

Fora dos BDCs, os FIDCs brasileiros aparecem como alternativa com menor risco de perdas abruptas. As regras da CVM são mais rígidas do que as americanas, e os títulos possuem liquidez maior que empréstimos diretos. Evita-se depender de ativos de difícil venda em momentos de fuga de recursos.

Profissionais destacam que a diversificação de portfólio reduz impactos de eventuais inadimplências. Em períodos de volatilidade e demanda elevada por saques, a marcação a mercado pode reduzir o valor de ativos. Por isso, a recomendação é distribuir patrimônio entre vários fundos.

Em síntese, o mercado brasileiro não deve vivenciar, por ora, a mesma escalada de restrições observada nos EUA. A combinação de regras locais, tipos de ativos e níveis de liquidez ajuda a manter o funcionamento estável dos fundos de crédito nacionais.

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