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Narco Fluxo: indústria musical usada em lavagem de dinheiro com MC Ryan SP

PF aponta que MC Ryan SP usava indústria fonográfica para lavar dinheiro de rifas e apostas; prisões são convertidas para preventivas

MC Ryan desceu do palco e tirou foto com fãs na grade da Festa Junina de Votorantim (SP)
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  • PF aponta que MC Ryan SP usava a indústria musical (cachês, shows e royalties) para lavar dinheiro obtido em rifas e apostas ilegais.
  • Operação Narco Fluxo: 33 de 39 mandados de prisão temporária cumpridos e 45 buscas e apreensões em oito estados, mais o Distrito Federal; MC Ryan SP e MC Poze do Rodo entre os presos.
  • Justiça converteu prisões temporárias para preventivas no dia 23, mantendo os investigados detidos sem prazo fixo.
  • iCloud foi ferramenta-chave para mapear a organização: dados armazenados na nuvem ajudaram a identificar operadores financeiros, empresas de fachada e influenciadores envolvidos; houve apreensão de celulares, HDs e outros itens digitais.
  • No papel de liderança, MC Ryan SP é apontado como principal beneficiário; Poze do Rodo aparece ligado a empresas usadas para circulação de recursos irregulares; bloqueios de bens chegaram a até R$ 1,63 bilhão.

O relatório da Polícia Federal (PF) aponta que MC Ryan SP usava a indústria musical para lavar dinheiro obtido em rifas e apostas ilegais. A operação Narco Fluxo resultou na prisão de 33 pessoas em 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal.

Segundo a PF, a indústria fonográfica teve papel central no esquema, misturando valores lícitos e ilícitos por meio de cachês, despesas de shows e pagamento de royalties. Parte dos recursos entrava nas contas das empresas do artista com origem nas atividades ilegais, como apostas clandestinas, financiando a estrutura de produção e a equipe.

Desdobramentos da investigação

A Justiça converteu as prisões de Ryan, Poze do Rodo e outros investigados de temporárias para preventivas, mantendo o prazo indefinido. A decisão aponta que o grupo operava como uma instituição financeira clandestina, com redes de apoio, empresas de fachada e laranjas para ocultar as operações.

A PF detalha o papel de Rodrigo Morgado, contador do grupo, que gerenciava transferências, proteção patrimonial e repasses, incluindo dados obtidos a partir de backups do iCloud. Também houve apreensão de bens como carros, joias, relógios e valores em espécie, com bloqueio de até R$ 1,63 bilhão e de criptomoedas em várias corretoras.

Envolvidos e atuação

MC Ryan SP é apontado como líder e principal beneficiário econômico, segundo a decisão, usando empresas de produção musical para mesclar receitas legais com recursos das apostas. O relatório descreve estratégias de blindagem patrimonial e uso de terceiros para disfarçar a origem do dinheiro.

MC Poze do Rodo aparece vinculado a empresas ligadas às transações financeiras da organização, incluindo a EMPOZE. Ele foi preso no Rio de Janeiro e pode responder por lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas. A investigação cita ainda influenciadores que divulgavam as apostas e rifas para melhorar a imagem pública do grupo.

Neste contexto, o material apreendido inclui itens de alto valor e dispositivos eletrônicos, além de um colar com a imagem de Pablo Escobar encontrado na residência de Ryan. A PF também ampliou o acesso a dados de nuvem e dispositivos para aprofundar o rastreamento da organização.

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