- Um debate entre varejo e sites de apostas esportivas surge após vazarem dados que atribuem endividamento das famílias e mais de R$ 240 bilhões destinados às plataformas de apostas em 2024, segundo o IBJR.
- O Instituto Brasileiro do Jogo Responsável pediu à Confederação Nacional do Comércio explicações sobre a base de dados que embasa essa estimativa e a relação com o varejo.
- A CNC é questionada por indicar que o varejo deixou de faturar R$ 103 bilhões por deslocamento de recursos para o mercado de apostas.
- O IBJR sustenta que a proibição total não é solução e defende políticas públicas para combater vício e endividamento por meio da regulação do setor.
- A CNC não comentou a notificação e deve responder na terça-feira; governo já bloqueou 28 sites do mercado preditivo e enfatiza fiscalização do setor.
O Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR) encaminhou à Confederação Nacional do Comércio (CNC) uma notificação solicitando esclarecimentos sobre a base de dados utilizada para estimar que, em 2024, brasileiros destinariam mais de 240 bilhões de reais às plataformas de apostas. O documento estabelece um prazo de cinco dias para a CNC explicar a fundamentação dessas cifras.
Segundo o IBJR, os representantes do setor de apostas também pedem detalhamento de como a CNC chegou à conclusão de que o varejo teria deixado de faturar 103 bilhões de reais em razão do redirecionamento de recursos para o mercado de apostas. Os números foram usados pela CNC em uma apresentação associada a um projeto de lei.
Controvérsia entre setores e governo
O tom da disputa se intensifica em um momento em que o governo tem atuado contra o setor. O presidente Lula tem feito críticas públicas às bets, e na última sexta-feira houve o bloqueio de 28 sites do mercado preditivo, segundo informações oficiais. As plataformas de apostas esportivas reagem à ofensiva regulatória com acusações de uso de dados inadequados.
O IBJR afirmou que mais de 50% das apostas ocorrem em plataformas que operam de modo irregular, burlando bloqueios da ANATEL. O instituto sustenta ainda que a proibição total não seria solução e que políticas públicas devem partir do diálogo com o setor para enfrentar vícios e endividamento.
Dados do setor e posicionamento do IBJR
O diretor e conselheiro do IBJR, André Gelfi, classificou as estimativas da CNC como falsas ao alegar que as apostas explicariam sozinhas o endividamento das famílias. Segundo o instituto, as apostas representam 0,46% do endividamento total, e as plataformas de apostas seriam utilizadas para justificar dificuldades financeiras.
A CNC informou que não comentaria a notificação e prometeu responder ainda nesta terça-feira. A coluna de reportagem procurou a CNC para obter esclarecimentos adicionais, mas ainda não há resposta publicada. Fontes oficiais ressaltam que os números devem ser verificados com rigor antes de serem usados em decisões legislativas.
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