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Bradesco amplia participação de mulheres em diretorias; tecnologia ainda é desafio

Bradesco dobra presença de mulheres em diretorias para 34%, mas setor de tecnologia registra apenas 36% de admissões femininas, indicando desafio de pipeline

Daniela Pereira, superintendente de RH do Bradesco
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  • O Bradesco duplicou a presença de mulheres em cargos de diretoria nos últimos dois anos, com crescimento de 42% e chegando a 34% do total de vagas nesse nível.
  • No conjunto da empresa, mulheres representam 50% do quadro, apesar de já ter chegado a 54%, recuando com o aumento de contratações em tecnologia.
  • Na área de tecnologia, apenas 36% das admissões são de mulheres, o que impacta o equilíbrio de gênero no topo da organização.
  • Internamente, a liderança feminina leva, em média, sete meses a menos do que a masculina, segundo levantamento da área de RH; a hipótese da maternidade não explica totalmente esse atraso.
  • Para enfrentar o desafio, o Bradesco criou programas de mentoria e aliados, com foco em desenvolvimento de mulheres, e mantém metas de equilíbrio de gênero na liderança em um horizonte de dez anos, além de manter a pauta ESG regulatória no radar.

O Bradesco ampliou em 42% o número de mulheres em cargos de diretoria nos últimos dois anos, chegando a 34% do total nesses postos. Em termos globais, o banco registra 50% de mulheres na liderança, índice que chegou a 54% no passado, mas recuou com contratações no setor de tecnologia.

No conjunto da organização, 36% das admissões no setor de tecnologia são de mulheres, segundo levantamento interno de RH. A área vem apresentando entraves para avançar na participação feminina em cargos estratégicos.

Daniela Pereira, superintendente de RH e responsável pela agenda de diversidade, destaca que o desafio começa no pipeline de formação. Em engenharia e ciências exatas, menos de 10% dos formandos no Brasil são mulheres, o que reduz o fluxo de candidatas qualificadas.

Internamente, a diferença de tempo para chegar a posições de liderança é estimada em cerca de sete meses entre homens e mulheres. O banco avaliou que a maternidade não explica sozinha esse desvio e aponta vieses ligados a comportamentos.

Para enfrentar o problema, o Bradesco criou um programa de mentoria entre mulheres, com letramento individual realizado com executivos. Um grupo de aliados, formado por mais de 400 homens, atua em iniciativas de apoio.

O projeto Mulheres Pra Frente já envolve cerca de 2.000 participantes, entre mulheres e aliados, com ações de desenvolvimento e acompanhamento de lideranças femininas. O objetivo é igualar oportunidades ao longo de cinco a dez anos.

No âmbito regulatório, a executiva afirma que o Bradesco manteve o foco em ESG e levou o tema ao conselho, sem recuo. No Brasil, a atuação encontra amparo de órgãos como a CVM, que requer o reporte de dados de diversidade.

A executiva reforça que o ambiente regulatório local favorece a continuidade da pauta de diversidade. Há também debates sobre representação feminina em conselhos de empresas públicas, com legislação em discussão.

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