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Falta de talentos dificulta avanços tecnológicos nas empresas brasileiras

Falta de conhecimento técnico e de experiência prática freia a adoção de IA no Brasil, com 98% das empresas enfrentando dificuldades para contratar

DESAFIO Mão de obra qualificada não acompanha o ritmo do avanço do crescimento da Inteligência Artificial (Reprodução/VEJA)
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  • 98% das empresas têm dificuldade para encontrar profissionais qualificados, com a expansão da inteligência artificial impulsionando a demanda.
  • 72% apontam falta de conhecimento técnico e 54% mencionam falta de experiência prática como principais entraves à contratação.
  • As vagas mais críticas estão em áreas da transformação digital, como Inteligência Artificial, engenheiros de software, Segurança da Informação e Machine Learning, com tempo de preenchimento entre um a dois meses ou mais.
  • 37% dos recrutadores rejeitam candidatos qualificados por questões comportamentais, enquanto 78% filtram por falta de fluência em inglês e 93% reconhecem barreiras de diversidade.
  • O programa Ford, criado em 2022, oferece formação gratuita em programação e análise de dados para pessoas em situação de vulnerabilidade; já formou mais de 1.000 alunos no Brasil.

A escassez de talentos preocupa o avanço tecnológico das empresas brasileiras. Um estudo realizado pela Ford em parceria com o Datafolha aponta que 98% das companhias têm dificuldade para encontrar profissionais qualificados, mesmo com a demanda em alta, impulsionada pela Inteligência Artificial.

A pesquisa ouviu 250 líderes de RH e TI de médias e grandes empresas. Entre os entraves, 72% apontam falta de conhecimento técnico e 54%, experiência prática. O resultado é contratação mais lenta, com metade das vagas levando de um a dois meses para serem preenchidas.

Especialistas em IA e engenheiros de software aparecem como os cargos mais críticos, seguidos por profissionais de Segurança da Informação e de Machine Learning. O levantamento também destaca a busca por perfil capaz de interpretar dados, resolver problemas e se adaptar rapidamente.

37% dos recrutadores dizem rejeitar candidatos qualificados por déficits comportamentais, como inteligência emocional e pensamento crítico. Além disso, 78% das empresas mantêm o inglês como filtro relevante para seleção de vagas.

A dificuldade de ampliar a diversidade nos quadros é reconhecida por 93% das companhias, apontando desperdício de potencial em um país com grande contingente jovem fora de oportunidades qualificadas.

Iniciativas de formação

O programa Ford, lançado em 2022, atua para reduzir a lacuna entre demanda e oferta de talentos. Voltado a pessoas em situação de vulnerabilidade, oferece capacitação gratuita em programação e análise de dados, com suporte para permanência no curso e conexão com o mercado.

Desde o seu início, mais de 1.000 alunos já foram formados no Brasil, muitos empregados ainda durante a formação. A estratégia visa transformar a formação em ponte para empregos, reduzindo a distância para o mercado de trabalho.

Perspectiva para 2025

Cenários indicam que 46% das empresas enxergam a IA como principal motor de transformação nos próximos anos. No entanto, especialistas alertam que a tecnologia depende de mão de obra qualificada para ser efetiva, sob risco de ampliar a distância para polos de economia digital.

A pesquisa reforça a necessidade de políticas e ações de qualificação contínua para manter competitividade e evitar gargalos que emperrem a adoção de inovações no país.

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