- O economista James Robinson, vencedor do Prêmio Nobel em Economia e autor de “Por que as nações fracassam”, participou da primeira conferência da Mevo e discutiu o futuro do Brasil.
- Robinson diz que não sofre de ansiedade demográfica: há ainda muita gente no mundo, e o Brasil pode crescer; a Seleção de futebol também pode ganhar Copas no futuro.
- Ele destaca que o bônus demográfico pode beneficiar países de maneiras distintas e que o nível de população é mais relevante que variações na taxa de natalidade.
- O pesquisador questiona a ideia de que o Brasil precisaria imitar reformas de Estados Unidos ou China, sugerindo que o país pode encontrar um caminho próprio a partir de 2027.
- O entrevistador aponta um tom otimista do economista, que afirma que o Brasil pode “decolar” sem explicações simples, citando o turismo no Rio como exemplo de momentum.
James Robinson, ganhador do Prêmio Nobel de Economia e autor do best-seller Por que as nações fracassam, participou da primeira conferência Mevo, evento ligado ao setor de saúde do iFood. A conversa tratou do futuro do Brasil, demografia, economia e o esporte nacional. O encontro ocorreu no contexto de debates sobre estratégias de longo prazo.
O pesquisador afirmou que não vê ansiedade demográfica no país. Segundo ele, o Brasil pode manter crescimento econômico mesmo com quedas de natalidade, pois ainda há potencial de geração de riqueza em diversas frentes. Sobre a Seleção, ele reconhece que não há garantia de título, mas afirma que esse cenário não depende apenas da demografia.
Robinson afirmou que o tamanho da população importa, mas não define sozinho o desempenho econômico. Ele citou experiências de outras nações e reforçou que o momentum da economia pode sustentar avanços, mesmo diante de mudanças no perfil demográfico. Também lembrou que alguns países envelhecidos continuam relevantes economicamente.
Demografia, economia e escolhas políticas
O Nobel em Economia indicou que o país pode se beneficiar de políticas que ampliem produtividade e inovação, sem depender exclusivamente de reformas alheias ao Brasil. Em seus livros recentes, o autor analisa fatores que explicam sucesso e fracasso econômico em diversas nações, com foco em escolhas públicas e ambientes institucionais.
Quando questionado sobre cenários futuros, Robinson disse que o Brasil poderia alcançar uma trajetória de decolagem a partir de 2027, desde que haja caminhos próprios de desenvolvimento. Não apontou reformas específicas como modelo, destacando a importância de um caminho interno.
O autor destacou ainda que o crescimento econômico tem momentum: resultados surpreendentes muitas vezes aparecem de forma gradual e só são entendidos em retrospectiva. Ele citou exemplos does turismo no Rio como demonstração de fenômeno sem explicação única.
O debate encerrou com o otimismo contido do pesquisador. Robinson afirma acreditar que o Brasil pode evoluir de forma sustentável, mesmo que o motivo exato dessa melhoria não seja hoje plenamente previsível. A sessão foi marcada pela confiança na capacidade de planejamento de longo prazo do país, sem impor datas concretas.
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