- O julgamento de Elon Musk contra OpenAI e Microsoft deve começar nesta segunda-feira em Oakland, com seleção de júri já em curso e as partes ouvidas na terça-feira (28).
- Musk pede US$ 150 bilhões por danos, alegando que OpenAI traiu sua missão original ao virar uma entidade com fins lucrativos em março de 2019, após ele deixar o conselho.
- Ele afirma ter sido mantido no escuro sobre planos e acusa de engano para criar uma “máquina de riqueza”; também pede que a OpenAI volte a ser sem fins lucrativos e que Altman e Brockman sejam removidos de cargos, incluindo Altman do conselho.
- OpenAI e Microsoft negam conspiração; defesa diz que Musk buscava controlar a OpenAI e impulsionar seu próprio laboratório de IA, a xAI, fundada em 2023, e que houve participação dele nas discussões sobre a estrutura da OpenAI.
- Testemunhas de peso no caso incluem Musk, Altman e o CEO da Microsoft, Satya Nadella; Shivon Zilis é citada como provável testemunha-chave.
O processo movido por Elon Musk contra a OpenAI e a Microsoft deve começar nesta segunda-feira, em um tribunal federal de Oakland, nos Estados Unidos. A seleção de júri deve ocorrer ainda hoje, com as partes ouvidas a partir de terça-feira, 28 de janeiro. Musk busca uma indenização de 150 bilhões de dólares, alegando prejuízos por suposta traição e manipulação de informações.
O caso envolve a transformação da OpenAI de uma organização sem fins lucrativos para uma entidade com fins lucrativos, anunciada em 2019, e a suposta atuação de Musk para manter o controle sobre a empresa. A ação acusa Sam Altman, atual CEO da OpenAI, e o cofundador Greg Brockman, além da Microsoft, de conspirarem para moldar o rumo da empresa em benefício próprio. Musk também aponta que teria sido mantido no escuro sobre planos que ele chamaria de uma “máquina de riqueza”.
O litígio traz à tona documentos internos que, segundo Musk, revelam tensões entre os fundadores sobre a governança e a direção estratégica da OpenAI desde a época em que deixou o conselho. A OpenAI afirma que Musk participou de discussões sobre a reestruturação e chegou a pleitear a posição de CEO. A Microsoft nega conspiração e afirma ter passado a trabalhar com a OpenAI apenas após a saída de Musk.
PESOS-PESADOS DEVEM TESTEMUNHAR
Entre as testemunhas esperadas estão figuras de peso do Vale do Silício, como Musk, Altman e Satya Nadella, CEO da Microsoft. Shivon Zilis, ex-membro do conselho da OpenAI, é apontada como testemunha estratégica, com a defesa da OpenAI alegando que ela repassava informações relevantes sobre a empresa. O testemunho pode influenciar a percepção pública sobre a governança da OpenAI.
A OpenAI vive um momento de alta atenção também por conta da proximidade de uma possível oferta pública inicial de ações, que poderia valorizar a empresa em até um trilhão de dólares. Além do foco no caso, a empresa enfrenta competição acirrada de rivais como a Anthropic e avança com investimentos expressivos em infraestrutura de IA.
CONTEXTO E IMPACTO NA OPENAI
Documentos judiciais mostram que Musk aportou cerca de 38 milhões de dólares na OpenAI entre 2016 e 2020, antes de deixar o conselho. Em 2019, a organização se reestruturou para permitir investimentos externos, mantendo a missão sem fins lucrativos. Em 2023, a OpenAI consolidou esse modelo até se transformar em uma corporação de benefício público, com participação de investidores, incluindo a Microsoft.
Os advogados de Musk argumentam que a reestruturação e a forma de financiamento beneficiaram o grupo fundador de forma desproporcional, enquanto a OpenAI sustenta que o objetivo foi manter o desenvolvimento de IA com responsabilidade e de amplo alcance. O caso, que tramita em Oakland, pode influenciar não apenas a liderança da OpenAI, mas o cenário regulatório e a percepção pública sobre IA avançada nos próximos meses.
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