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Quase metade do adubo importado vem de países em conflito, aponta relatório

Quase metade dos fertilizantes importados pelo Brasil vem de países em conflito, elevando custos de produção e potencial pressão sobre os preços dos alimentos na próxima safra

Em 2025, o país importou 88% dos adubos usados nos plantios e bateu um recorde histórico, ao adquirir 45,5 milhões de toneladas no ano, aponta relatório da Cogo Inteligência em Agronegócios. — Foto: Foto de Kashif Shah
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  • Em 2025, o Brasil importou 88% dos fertilizantes usados na produção de alimentos, somando 45,5 milhões de toneladas, atingindo recorde e tornando-se o maior importador mundial.
  • Cerca de quarenta e cinco por cento dos fertilizantes importados vêm de países em guerra ou politicamente instáveis, como Rússia, Bielorrússia, Irã e Nigéria.
  • A guerra no Oriente Médio elevou o preço da ureia em cerca de sessenta e sete por cento entre o início do conflito e 16 de abril, o que pode aumentar os custos da próxima safra e pressionar os preços dos alimentos no Brasil.
  • A dependência por tipos de fertilizantes é alta: potássio, nitrogênio e fósforo têm importações estimuladas, com 96% de potássio, 95% de nitrogênio e 72% de fósforo vindo do exterior; a ureia é a principal fonte de nitrogênio.
  • A Petrobras anunciou a reativação de unidades de fertilizantes nitrogenados (FAFENs) na Bahia e em Sergipe e a unidade Araucária Nitrogenados, no Paraná, para ampliar a produção interna.

Brasil importou 88% dos fertilizantes usados em 2025, alcançando 45,5 milhões de toneladas. Dados mostram que quase metade desse volume veio de países em guerra ou instáveis politicamente, elevando a vulnerabilidade do setor agrícola nacional.

A dependência ocorre em um momento de pressão de preço e oferta global. O cenário geopolítico, com conflitos no Oriente Médio e sanções a grandes produtores, impacta diretamente o custo dos insumos para o agronegócio brasileiro.

O levantamento aponta que o Brasil, pese a posição de grande produtor, não produz a maior parte dos adubos de que necessita. A alta dependência externa se traduz em variações de preço e riscos de continuidade do abastecimento.

A pesquisa destaca a importância de diversificar fornecedores e ampliar a capacidade de produção interna. O estudo também relaciona esse gargalo a custos de produção e possível pressão futura sobre os preços dos alimentos.

Dependência por tipo de fertilizante

  • POTÁSSIO: o Brasil produz apenas 4% do que consome e importa 96% de potássio, principalmente cloreto de potássio. Países como Canadá, Rússia e Bielorrússia são importantes fornecedores.
  • NITROGÊNIO: a dependência é de 95%. A ureia é quase toda importada, com produção nacional limitada por custos de gás natural.
  • FÓSFORO: dependência em torno de 72%. Reservas nacionais são exploradas, com projetos como Itataia em destaque, além de operações como a EuroChem em MG voltadas ao mercado interno.

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