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Agricultura abandonada pode pôr infraestrutura em risco

Sem política agrícola de Estado, o agro enfrenta clima adverso, crédito caro e inadimplência recorde, impactando a economia regional

A falta de proteção estratégica e de austeridade financeira por parte do Estado empurra o produtor para a judicialização, diz o articulista
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  • O agronegócio brasileiro impulsionou o PIB em 11,7%, mas sofre com falta de política de Estado estável, clima adverso e custos de produção elevados.
  • O Plano Safra perdeu eficácia e o seguro rural caiu de 13,68 milhões de hectares (2021) para 3,2 milhões de hectares (2025), com redução gradual do PSR.
  • A inadimplência entre produtores rurais pessoas físicas chegou a 7,33%, a maior da história, afetando crédito, insumos e máquinas na cadeia do agronegócio.
  • O governo aumentou gastos e a carga tributária, com taxa tributária de 34,2% do PIB em 2024 e dívida pública acima de 83,6% do PIB, mantendo a Selic em 14,75%.
  • A combinação de crédito caro, insegurança jurídica e fiscal amplia a judicialização no setor, evidenciando fragilidade econômica e impactos regionais.

O agronegócio brasileiro passa por um momento de paradoxo: mesmo com participação expressiva no PIB, o setor enfrenta fragilidade estruturante. A queda de safra regional, a alta dos custos e a ausência de uma política de Estado estável ampliam riscos para produtores e cadeia produtiva.

A análise aponta que o problema vai além do clima. O Plano Safra é visto como ferramenta de marketing, sem aplicação concreta de crédito na ponta. A falta de seguro rural robusto deixa o produtor exposto a riscos climáticos e de mercado, aumentando vulnerabilidade financeira.

A área segurada no Brasil recuou de 13,68 milhões de hectares em 2021 para 3,2 milhões em 2025, segundo dados oficiais. O desmonte do PSR, programa de subvenção ao seguro rural, é apontado como elo central dessa retração.

A inadimplência entre produtores rurais atingiu 7,33% dos tomadores pessoas físicas, registrando a maior taxa histórica. O efeito alcança revendas de insumos, comércio de máquinas e o conjunto da economia regional, reduzindo empregos e renda.

O governo ampliou gastos públicos e elevou a carga tributária, com a dívida pública estimada acima de 83,6% do PIB. Em 2024, a carga tributária ficou em 34,2% do PIB, marco recorde, segundo o Tesouro Nacional.

A taxa Selic, em 14,75%, mantém o custo de crédito elevado. Com juros altos, produtores enfrentam fluxo de caixa difícil antes mesmo do plantio, agravando custos de produção e a volatilidade de preços de combustíveis.

Essa conjuntura contribui para uma tendência de judicialização entre agentes do agro. Em 2025, foram 1.990 pedidos de recuperação judicial de produtores rurais, contra 193 em 2021, sinalizando vulnerabilidade jurídica e ambiente de desconfiança no setor.

Apesar do cenário desfavorável, há regiões com desempenho mais robusto, como a fruticultura no Vale do São Francisco, o café em Minas e Espírito Santo, e a agroindústria de Mato Grosso. Nesses casos, a gestão financeira tem sido diferencial.

Impacto econômico no país

A vulnerabilidade do agro repercute na economia local e nacional, mexendo com o dinamismo de comércio, indústria e serviços. Quando o setor enfrenta dificuldades, a cadeia de abastecimento e o emprego ficam sob pressão.

Caminhos e desdobramentos

Especialistas defendem maior proteção estratégica, crédito com condições reais de ponta e melhoria do seguro rural como investimentos, não despesas. A discussão sobre políticas agrícolas está em pauta, com foco em sustentabilidade econômica do setor.

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