- A projeção de inflação neste ano pela Focus subiu de 3,91% para 4,86%, acima do teto da meta do Banco Central.
- A maioria espera corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,50%, mas o sinal do BC no comunicado pode redefinir as expectativas para 2026 e 2027.
- A guerra no Irã elevou o preço do petróleo e de insumos como fertilizantes, contribuindo para o avanço das projeções do IPCA.
- O IPCA de março ficou em alta de 0,88% (superando a pior (mais pessimista) projeção do mercado); fevereiro subiu 0,70%, próximo do teto das previsões.
- O mercado vê a Selic em 13% no fim do ano, mas as projeções de IPCA continuam acima da meta, tornando o tom do comunicado importante para o tamanho do ciclo de cortes.
O Copom se prepara para anunciar a decisão da taxa Selic nesta quarta-feira, 29, ante projeções de inflação em alta e sinais de reprecificação do crescimento. A tomada de decisão acompanha a evolução recente dos preços e da atividade. A discussão envolve também o que o BC comunicará sobre o futuro da política monetária.
A Focus, antes do conflito no Oriente Médio, apontava inflação de 3,91% neste ano. Hoje, a mediana subiu para 4,86%, acima do teto da meta do BC. Há projeções que indicam inflação acima de 5% em 2026 e 4,0% em 2027, o que eleva a pressão sobre o Comitê.
O câmbio de cenário é puxado pela guerra no Irã, que elevou o preço do petróleo e de insumos como fertilizantes. Esse choque passará pelo IPCA de 2024 e contamina as previsões para 2026 e 2027, segundo analistas.
O IPCA de março foi 0,88%, acima da maior estimativa do mercado para o mês. Em fevereiro, a alta foi de 0,70%, próximo ao teto das projeções. Dois meses consecutivos com resultado negativo para o equilíbrio das contas públicas de preços.
Na visão do mercado, o Copom pode sinalizar um ajuste mais duro, com o objetivo de conter a desancoragem das expectativas de inflação. No radar está o debate sobre o ritmo do ciclo de cortes e o nível da inflação esperado para 2027.
O Copom já foi criticado por ter sido tímido na projeção de inflação de curto prazo na última reunião. A expectativa para 2026 permanece elevada próxima de 3,9%, sugerindo revisão de trajetória.
A atividade econômica, que mostrou reativação no primeiro trimestre, também entra no equilíbrio do comunicado. Dados fortes de atividade podem reforçar a necessidade de uma mensagem mais contida sobre o ritmo de cortes.
A previsão de mercado aponta a Selic em 13% ao fim do ano. Mesmo nesse cenário, as projeções de IPCA persistem acima da meta, alimentando o debate sobre a intensidade do aperto monetário.
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