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Apostas avançam e afetam negativamente até quem ganha mais, aponta CNC

Estudo da CNC mostra que apostas online elevam endividamento e atraso no pagamento, atingindo mais homens e famílias de menor renda

Apostadores mais escolarizados e famílias que ganham mais (Google/Reprodução)
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  • Apostas online passaram de hábito a problema financeiro, com gastos que chegam a mais de R$ 30 bilhões por mês, de acordo com estudo da CNC.
  • Famílias sem condições de pagar aumentaram, subindo 12,2 pontos percentuais entre quem aposta e quem não aposta.
  • O tempo médio de atraso das contas avançou quase 45%, por causa dos recursos usados nas apostas.
  • Homens são o grupo mais vulnerável; entre as mulheres, o impacto é menor em comparação.
  • Entre renda alta (mais de 10 salários) houve queda de até 30,5% na contratação de empréstimos, mas o estudo aponta “efeito de substituição”: uso do dinheiro disponível para apostar em vez de crédito formal.
  • A pesquisa usa Diferenças em Diferenças com dados da PEIC, de maio de 2021 a março de 2026, envolvendo total de famílias endividadas, contas em atraso e tempo de atraso.

As apostas online passaram de lazer para um problema financeiro para parte das famílias, segundo estudo da CNC. A pesquisa analisou janeiro de 2023 a março de 2026 e aponta que o gasto com bets subiu de quase zero para mais de 30 bilhões de reais por mês, impactando dívidas e inadimplência.

O estudo identifica o que chama de efeito direto: famílias que apostam têm maior probabilidade de entrar em endividamento e em atraso nos pagamentos. O indicador de famílias sem condições de pagar cresceu 12,2 pontos percentuais por causa das bets.

Outro dado relevante mostra que o tempo médio de atraso nas contas aumentou quase 45%. Boletos e compromissos ficam parados por mais tempo quando recursos são destinados às apostas on-line.

Homens aparecem como grupo mais vulnerável, com aumento expressivo na inadimplência e no atraso de pagamentos. Entre as mulheres, o impacto é 30% menor, sugerindo perfis de comportamento e exposição diferentes.

As famílias de menor renda, especialmente até cinco salários, estão entre as mais afetadas, com piora tanto no endividamento quanto na capacidade de pagar dívidas existentes. Não são apenas os jovens os mais atingidos: pessoas acima de 35 também apresentam maior vulnerabilidade.

Quem tem ensino médio completo ou superior registra alta em todos os indicadores. O estudo aponta que maior acesso digital e bancarização elevam a exposição ao risco financeiro.

Entre famílias de alta renda, com mais de 10 salários, observa-se queda de 30,5% na contratação de novos empréstimos e no total de endividados. Essa tendência pode indicar substituição de crédito formal pelo uso de recursos próprios para apostar.

“Despoupar” é o fenômeno observado nesses casos: atrasos aumentam mesmo com melhora de inflação e emprego. A pesquisa ressalta a necessidade de proteção ao consumidor, regulação da publicidade e educação financeira.

Metodologia

A CNC utilizou Diferenças em Diferenças (DiD) para separar o impacto das apostas do comportamento econômico geral. A análise usa dados mensais da PEIC, de maio de 2021 a março de 2026, com variáveis como endividamento, atraso e condições de pagamento.

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