- No Brasil, há R$ 4,4 trilhões em fundos de renda fixa e apenas R$ 47 bilhões em ETFs de renda fixa, apontando alto potencial e necessidade de evolução regulatória para permitir gestão ativa, conforme Danilo Gabriel, da XP Asset.
- Hoje, ETFs de renda fixa no país acompanham apenas índices passivos; a liberação da gestão ativa está na agenda regulatória da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sem previsão.
- Nos Estados Unidos, ETFs de renda fixa cresceram e passaram a representar cerca de 17% da classe, com US$ 2,3 trilhões, sinalizando avanço para ativos geridos ativamente.
- Desafios citados incluem indústria fragmentada, muitos produtos, caos tributário (tabela regressiva, isenções, come-cotas) e falta de transparência, com títulos marcados na curva.
- Em oposição, os ETFs são vistos como opção simples e barata, com imposto apenas na venda das cotas e taxas de administração menores; o número de índices de ETFs no Brasil subiu de 25 em 2020 para 55 em 2025.
No Brasil, ETFs de renda fixa têm potencial, mas dependem de evolução regulatória. Em evento promovido pela B3 no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), Danilo Gabriel, sócio da XP Asset, afirmou que a autorização da CVM para fundos de gestão ativa é fundamental para o avanço do setor.
Atualmente, o País tem cerca de R$ 4,4 trilhões em fundos de renda fixa, mas apenas R$ 47 bilhões em ETFs desse segmento. Os ETFs permitidos seguem apenas índices de referência de forma passiva, enquanto a gestão ativa aguarda a sinalização regulatória da CVM.
O executivo ressaltou a experiência dos EUA, onde ETFs de renda fixa cresceram e hoje respondem por cerca de 17% da classe, com US$ 2,3 trilhões. No Brasil, o desafio é oferecer instrumentos que facilitem o balanceamento de vencimentos, indexadores e emissores, sem dificuldades na saída do investimento.
Gabriel apontou que o mercado brasileiro é fragmentado, com muitos produtos que confundem o investidor comum. Também destacou o que chamou de “caos tributário”, envolvendo tabela regressiva, isenções de LCIs/LCAs e o come-cotas, que reduz a atratividade de renda fixa tradicional.
Outro entrave é a transparência: muitos títulos são marcados na curva sem atualização diária de preços, o que dificulta o acompanhamento. O investidor só percebe o problema quando precisa do dinheiro diante de um evento de crédito.
Como alternativa, os ETFs aparecem como solução simples e de baixo custo, com incidência de imposto apenas na venda das cotas e taxas de administração menores que a média de fundos de renda fixa. Dados da B3 indicam o crescimento de índices para ETFs no Brasil nos últimos anos.
Progresso regulatório
Segundo a B3, o número de índices criados para ETFs no país aumentou de 25 em 2020 para 37 em 2023, chegando a 55 ao fim de 2025. A agenda regulatória da CVM aponta a possibilidade de aprovação de gestão ativa, ainda sem previsão de conclusão. A mudança seria um marco para ampliar ofertas e competir com mercados mais desenvolvidos.
Perspectiva de crescimento
Em meio ao cenário desafiador, Gabriel destacou o potencial de ampliação da base de ETFs de renda fixa no Brasil, com foco em maior eficiência de carteiras e maior clareza para o investidor. A experiência de mercado externa sugere caminhos para evolução, conectando oferta de ativos, tributação e transparência.
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