- O Booking negocia um desconto de 25% ao S&P 500, enquanto o mercado vê risco de disrupção pelo avanço da inteligência artificial.
- IA como ChatGPT, Gemini e Meta AI ganha força, com várias aplicações em planejamento de viagens, elevando a possibilidade de desintermediação das OTAs.
- Hotéis pagam aos OTAs por aquisição de clientes — cerca de 15% em diárias — e dependem de serviços da OTA para precificação, disponibilidade, políticas e suporte; replicar tudo isso em escala é complexo.
- Exemplos de uso de IA na prática incluem o Walmart, que viu o checkout via IA converter menos do que no site próprio, e a OpenAI, que tem parcerias no setor de viagens, mas ainda está longe de substituição completa de canais.
- O Booking busca ampliar receitas com publicidade de IA e favorecer um agente de viagens holístico, aproveitando dados, inventário e transações para melhorar o atendimento e a recomendação em tempo real, além de considerar buybacks para devolver valor aos acionistas.
O Booking não é ameaçado pela inteligência artificial no curto prazo. A empresa, que negocia com prêmio sobre o S&P 500, vê potencial de ganho com IA sem abrir mão do seu modelo de negócios atual. A percepção de risco se traduz em um desconto no valor de mercado em relação ao índice.
A evolução de IA generativa vem redesenhando a relação entre plataformas de viagem, hotéis e consumidores. Chatbots e assistentes passaram a influenciar a fase inicial da busca, enquanto marketplaces de viagens ganham foco como canais de aquisição e transação.
Princípios da operação atual
Hotéis mantêm alto custo fixo e inventário perecível; a OTA funciona como canal de marketing, lucrando com cada reserva após o sucesso da transação. Para clientes, as OTAs entregam segurança, inventário amplo e políticas de venda, com suporte e gestão de disputas.
A OpenAI tem buscado parcerias no setor de viagens, ainda que com ofertas em estágio inicial. A integração completa para transações permanece limitada, com modelos de referral para sites de hotéis, redes hoteleiras e OTAs.
Casos de referência no varejo e impactos no ecossistema
O Walmart mostrou que integrações de IA podem aumentar o carrinho, mas a conversão de transações completas via IA ainda ficou aquém do desempenho do site próprio. Em seis meses, o experimento foi interrompido, apontando a complexidade de migrar toda a jornada de compra.
Essa evidência reforça a importância de reter clientes e manter o tráfego nas plataformas de origem. Mesmo com incentivos, a adesão a transações completas por IA ainda depende de melhorias na taxa de conversão e na experiência do usuário.
Perspectivas para o Booking e o papel da IA
Historicamente, o Google concentrou-se na descoberta, enquanto as OTAs capturaram a maior parte do tráfego de compra. A publicidade é hoje fonte relevante de receita para o Booking, que investe significativamente em Google para manter tráfego orgânico aliado a anúncios pagos.
Especialistas apontam que assistentes de IA podem se tornar ambientes de publicidade de tráfego qualificado. Nesse cenário, as OTAs podem manter vantagem de escala e demanda, influenciando o custo de aquisição e o retorno sobre o investimento.
Caminhos estratégicos para o Booking
O Booking passa a explorar novos canais de aquisição, apoiados por IA, para melhorar o unit economics. A empresa já utiliza IA para atendimento ao cliente e visa um agente holístico de viagens, capaz de gerenciar toda a jornada com recomendações em tempo real.
A integração com plataformas de pagamento, identidade de usuário e inventário multiclasse é vista como base para evoluir esse agente, mantendo o Booking competitivo em um mercado de redes de efeito de mídia.
Considerações finais
O ecossistema de IA está abrindo oportunidades para marketplaces de viagem fortalecerem alcance e eficiência. O Booking busca capturar participação de mercado, ampliar receita e melhorar margens, com foco em tecnologia, dados e operações eficientes.
Autor: Leonardo Otero, sócio da Arbor Capital.
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