- Inflação de abril cresceu 0,88% e, em doze meses, 4,37%, elevando a incerteza sobre a trajetória da taxa Selic anunciada pelo Copom.
- O Copom já reduziu a Selic de 15% para 14,75% em março, sinalizando calibração, mas o IPCA-15 indica aperto adicional na leitura de curto prazo.
- Projeções divulgadas pelo boletim Focus de 24 de abril apontam inflação em 4,86% para dezembro, com a inflação de 2027 estimada em 4%.
- O ritmo de crescimento do PIB para 2026 caiu de 1,86% para 1,85%, com o FMI estimando expansão de 1,90% em 2024 e 2% em 2027 no conjunto de projeções.
- Mesmo com reduções, a expectativa é de que a Selic neste ano permaneça entre altos níveis, mantendo a taxa real entre as mais elevadas do mundo, o que pode desestimular investimento produtivo.
A inflação elevada pode impedir cortes de juros e frear o crescimento. Dados de abril apontam alta de 0,88% no mês e 4,37% em 12 meses, dificultando a definição da taxa básica a ser anunciada pelo Copom nesta quarta-feira, 29.
O Copom reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano em março, sinalizando calibração na política. Entretanto, o índice IPCA-15 sugere virada de trajetória inflacionária, deixando o cenário mais incerto no curto prazo.
Inflação e juros
Apesar da redução recente, o mercado espera que a Selic permaneça em patamar elevado ao longo de 2024. A taxa deve ficar acima de 13% em dezembro, mesmo com recuos pontuais.
A inflação de 12 meses de 4,37% manteve o indicador próximo do teto da meta, 4,50%, e bem acima do centro, 3%. Especialistas projetam inflação acima da meta central ao longo do ano.
As projeções para o fim de 2024 já sinalizam 4,86% de inflação acumulada até dezembro, conforme o boletim Focus de 24 de abril, com base em levantamento do BC. A mediana das expectativas aponta esse patamar.
Projeções de crescimento
O ritmo da atividade econômica tem sido mais fraco. O PIB brasileiro para 2026 passou de 1,86% para 1,85% na última semana, com o centro da projeção para 2027 estável em 1,80% e 2028 em 2%.
O FMI também aponta cenário de expansão moderada: aumento de 1,90% neste ano e 2% em 2027, nas projeções divulgadas em abril. Mesmo com leve desaceleração, o crescimento ainda sustenta margens de estímulo aos ajustes monetários.
A análise de mercado aponta que juros elevados estimulem aplicações especulativas, mas desincentivem o investimento produtivo. A consequência é menor dinamismo na expansão de longo prazo.
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