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Queda de 48% no turismo agrava crise econômica em Cuba

Com queda de 48% no turismo no primeiro trimestre, Cuba perde divisas e empregos, agravando a rotina de moradores e o movimento em Havana Velha

Rua de Havana Velha, no centro histórico da capital, esvaziada de turistas.
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  • Entre janeiro e março, Cuba recebeu 298.057 visitantes estrangeiros, 48% a menos que no mesmo período de 2025, segundo o Escritório Nacional de Estatística e Informação.
  • Em março, chegaram apenas 35.561 turistas, um dos patamares mais baixos dos últimos anos.
  • O turismo é a segunda principal fonte de divisas e, até janeiro, empregava mais de 300 mil pessoas; a queda afeta empregos, circulação de dólares e setores dependentes de visitantes.
  • Em Havana Velha, restaurantes e bares têm movimento reduzido e lojas de souvenires ficam vazias parte do dia.
  • A crise está ligada ao Período Especial na economia cubana e ao corte de voos desde fevereiro, com quedas nos principais mercados emissores, como Canadá, Rússia e a comunidade cubana no exterior.

O turismo em Cuba recuou fortemente no início de 2026, ampliando a crise econômica do país. Entre janeiro e março, a ilha recebeu 298.057 visitantes estrangeiros, 48% a menos que no mesmo período de 2025. A redução veio diante de voos diminuídos, escassez de combustível e menor fluxo de visitantes.

Em março, chegaram apenas 35.561 turistas, um nível historicamente baixo para o período. O turismo continua sendo a segunda maior fonte de divisas em Cuba e, até janeiro, empregava mais de 300 mil pessoas no país.

A cidade de Havana, especialmente a área de Havana Velha, reflete o abalo. Restaurantes operam com menor movimento, bares tradicionais reduzem atendimento e lojas de souvenires ficam vazias parte do dia. O cenário contrasta com a antiga rotina de grande presença de turistas.

Mudanças estruturais no setor

A retração do turismo eleva a vulnerabilidade econômica de trabalhadores que dependem diretamente do fluxo de visitantes. Com menos voos, houve atraso no abastecimento de aeroportos e suspensão de operações de algumas companhias aéreas. Hotéis estatais reduziram ocupação para concentrar hóspedes em unidades abertas.

Mercados emissores também registraram queda. No trimestre, o Canadá contabilizou 124.794 chegadas, queda de 54,2% em relação ao ano anterior. Chegadas da Rússia caíram 37,5%, e a comunidade cubana residente no exterior teve redução de 42,8%.

Pessoas que dependem do turismo relatam impactos diretos no sustento. Um morador rural que aluga quartos na capital disse que a procura praticamente cessou, agravando a sua renda. Reservas canceladas após o anúncio de cortes de voos colaboraram para a pausa no fluxo de clientes.

A crise também afeta prestadores de serviços e comércio local. Um aposentado, que vendia souvenires para complementar a renda, afirmou que a venda ficou sem fôlego, com dias inteiros sem cliente. Persistem dificuldades para a compra de alimentos no mercado privado.

Segundo avaliações locais, a recuperação deverá ser lenta. A combinação de menor número de voos, falta de combustível e queda no turismo reduz as entradas de dólares e aumenta a pressão sobre trabalhadores que dependem do setor. A ilha busca caminhos para enfrentar uma das mais fortes crises de sua história.

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