- Emirados Árabes Unidos anunciaram a saída da Opep, com saída prevista para 1º de maio, conforme comunicado pela agência estatal WAM.
- O economista Carlos Primo Braga afirma que a decisão não é surpresa, destacando divergências entre Emirados e Arábia Saudita por motivos econômicos distintos.
- Os Emirados têm capacidade de produção que pode chegar a cerca de 5 milhões de barris por dia, acima dos limites impostos pela Opep.
- No curto prazo, não se espera impacto imediato nos preços, especialmente enquanto o Estreito de Hormuz permanecer sob restrições e o escoamento estiver limitado; efeitos relevantes podem ocorrer até 2027, sujeito à normalização logística.
- Sobre os EUA, Braga aponta que a estratégia de aumentar a produção enfrenta entraves estruturais (refinarias voltadas para petróleo pesado); a Venezuela também tem recuperação lenta e produção muito aquém da brasileira.
Emirados Árabes Unidos anunciaram a retirada da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), com efeito a partir de 1º de maio. A decisão, comunicada pela agência estatal WAM, pode provocar novo abalo no mercado de energia global e levantar questões sobre impactos geopolíticos e nos preços dos combustíveis.
Segundo Carlos Primo Braga, professor da Fundação Dom Cabral, a mudança não chega a surpreender. As tensões entre Emirados e Arábia Saudita já vinham se desenhando desde 2021, principalmente pela estratégia de produção do bloco e pela cota imposta pela Opep.
A divergência entre os dois países reflete interesses econômicos distintos. Enquanto a Arábia Saudita precisa de um petróleo a US$ 80–90 por barril para manter contas e diversificar a economia, os Emirados trabalham com um orçamento mais flexível, em torno de US$ 50 por barril. Além disso, a produção dos Emirados tem crescido e já pode chegar a cerca de 5 milhões de barris/dia, acima de limites anteriores da Opep.
Impacto de curto prazo na volatilidade dos preços
Apesar do efeito estrutural, Braga aponta que não há reflexos imediatos nos preços. O estreito de Hormuz, ainda com restrições, deve continuar limitando o escoamento e contribuindo para a estabilidade de curto prazo.
No cenário mais otimista, o aumento da oferta global ocorreria apenas ao longo dos próximos anos, com possibilidade de também depender de normalização logística e da evolução da produção Emirati até 2027.
Outros fatores energéticos e perspectivas regionais
A entrevista também aborda a estratégia norte-americana de ampliar a produção com o lema drill, baby, drill. Mesmo com preços altos incentivando investimentos em shale, há entraves estruturais: as refinarias dos EUA são projetadas para petróleo pesado, enquanto o shale é leve, o que complica o ajuste entre tipo de petróleo produzido e processado.
Sobre a Venezuela, Braga ressalta que as reservas são grandes, mas a recuperação da produção tende a ser lenta. Mudanças políticas recentes deram passo a negociações com petroleiras dos EUA, porém o histórico de expropriações ainda gera cautela. Atualmente, a produção venezuelana é pequena em relação ao Brasil, e uma retomada significativa não deve ocorrer no curto prazo.
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