- O Copom reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, com o mercado recebendo sem surpresas.
- Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, afirmou que o comunicado teve mudanças mínimas e manteve o tom cauteloso diante de cenário incerto.
- Ela vê novo corte de 0,25 para a próxima reunião em junho, descartando aceleração para 0,5 ponto percentual.
- Riscos: preço elevado do petróleo e a ausência de solução de curto prazo para o conflito podem manter a inflação pressionada; possibilidade de pausa caso a inflação se torne mais disseminada.
- Sobre o câmbio, há sustentação de um real mais valorizado por balança comercial e termos de troca favoráveis, mas dólar pode subir se juros nos EUA forem maiores que o esperado, dependendo do ajuste fiscal e da demanda doméstica.
O Copom reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, mantendo o tom cauteloso diante de um cenário incerto. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira e recebeu poucas surpresas do mercado.
Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, disse à CNN Money que o comunicado trouxe alterações mínimas em relação à reunião anterior, mantendo a calibração como o eixo da política monetária. Ela aposta em novo corte de 0,25 na próxima reunião, em junho, mas vê riscos para acelerar o ritmo.
A especialista destacou fatores como o preço do petróleo e a ausência de solução de curto prazo para conflitos internacionais que influenciam as cotações. Mesmo com surpresas, a logística mundial pode delayar qualquer queda de preços e a inflação pode permanecer pressionada.
A economista alertou para a possibilidade de uma pausa nos cortes caso a inflação se torne mais disseminada, acompanhando uma demanda doméstica mais acelerada. A manutenção de uma política monetária restritiva é vista como fator de desaceleração da atividade.
Vitória ressaltou que a austeridade aplicada pela política monetária já se reflete em diversos setores, com recuperação fracionada no início do ano. O aperto monetário tem contribuído para maior número de recuperações judiciais e de inadimplência entre famílias.
Sobre a possibilidade de a Selic alcançar dígito único, a economista afirmou que é viável, mas depende de avanços no ajuste fiscal. O principal entrave seria o crescimento dos gastos públicos, segundo ela.
Para chegar a juros de um dígito, seria necessária maior visibilidade sobre um ajuste fiscal crível, afirmou. Ela remeteu ao período de 2016 a 2022, quando o teto de gastos esteve vigente, como referência de convergência da inflação.
Entre os fatores domésticos, Vitória cita o acúmulo de estímulos à economia como risco para a inflação. Programas de crédito, transferências de renda e antecipação de precatórios elevam a renda do brasileiro e podem sustentar a demanda, pressionando preços.
No caso do Desenrola, a economista avalia impacto imediato limitado, com efeitos mais perceptíveis no segundo semestre. Em relação ao câmbio, observa-se um real relativamente valorizado devido à balança comercial robusta, aos termos de troca e à posição do Brasil como exportador de combustíveis e alimentos.
Entretanto, ressalva que uma leitura de juros nos EUA acima do esperado pode fortalecer o dólar e pressionar o real. A evolução da política fiscal interna continua sendo o principal motor da trajetória de inflação e juros no curto prazo.
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