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Bets tiram R$ 143,8 bilhões do comércio brasileiro em 2 anos; PMEs afetadas

Apostas digitais desviaram R$ 143,8 bilhões do varejo em dois anos, pressionando o caixa das PMEs e elevando inadimplência entre famílias

Rua com comércios | Reprodução
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  • Estudo da Confederação Nacional do Comércio aponta que bets retiraram R$ 143,8 bilhões do comércio em dois anos, como se o varejo tivesse perdido dois Natais.
  • Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, o gasto mensal com apostas passou de R$ 4 bilhões para quase R$ 30 bilhões.
  • Segundo o economista Fabio Bentes, cada R$ 1 bilhão deslocado para as bets derruba 0,7% do faturamento do varejo.
  • O impacto é maior nas pequenas e médias empresas, com menos giro, pagamentos a fornecedores, folha e aluguel pressionados; 269 mil famílias entraram em inadimplência por causa das apostas.
  • Fatores que ajudam o fenômeno: tecnologia que facilita apostas, contexto econômico que aumenta a pressão e comportamento humano que busca soluções rápidas no ato.

O consumo brasileiro passou por uma mudança de padrão nos últimos dois anos: as apostas digitais, as chamadas bets, moveram R$ 143,8 bilhões do comércio entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025. O fenômeno envolve o varejo brasileiro, com impactos especialmente sentidos por pequenas e médias empresas (PMEs). O deslocamento de recursos ocorreu sem que a economia deixasse de ter dinheiro, apenas mudou de destino.

Segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o gasto mensal com apostas saltou de R$ 4 bilhões para quase R$ 30 bilhões nesse período, um crescimento próximo de oito vezes. Economista Fabio Bentes aponta que cada R$ 1 bilhão direcionado às bets reduz o faturamento do varejo em 0,7%, indicando uma troca direta entre consumo e aposta.

O efeito humano acompanha os números: 269 mil famílias passaram a ter inadimplência associada às apostas. O recuo de renda é mais intenso entre quem ganha até cinco salários mínimos, mas também há atrasos em faixas mais altas. O quadro aponta para uma relação entre uso da tecnologia, pressão econômica e comportamento de busca por soluções rápidas.

Impacto nas PMEs

A retração de demanda atua no caixa de lojas e serviços. Menos venda, menor previsibilidade e maior dificuldade para honrar fornecedores, folha e aluguel. Sem fôlego para investir, contratar ou crescer, o efeito se propaga ao longo da operação cotidiana.

A mudança não é apenas tecnológica. As plataformas digitais aceleram a frequência de apostas, reduzindo barreiras de acesso e flexibilizando horários. No entanto, o fenômeno já existia antes da internet, só ganhou escala com a conectividade: o que mudou foi a velocidade e a abrangência do hábito.

Desafios para o varejo

Especialistas apontam que o problema não se resume às bets, mas envolve renda, previsibilidade e ajuste do modelo de negócios diante de um consumidor que pode optar pelo clique. O concorrente hoje é também o aplicativo no bolso do cliente, não apenas a loja física.

Para o pequeno empresário, a leitura é clara: adaptar o fluxo de caixa, reforçar a relação com o cliente e buscar fontes estáveis de receita. Sem essas mudanças, o varejo fica mais vulnerável diante de cenários de juros, inadimplência e demanda volátil.

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