- Empresas Microsoft, Google, Meta e Amazon gastaram cerca de 130 bilhões de dólares com IA no primeiro trimestre de 2026.
- Microsoft informou um run rate de IA de 37 bilhões de dólares ao ano, com o Copilot corporativo em mais de 20 milhões de assentos pagos; a Accenture sozinha assinou 740 mil.
- Google Cloud cresceu 63% e chegou a 20 bilhões de dólares; o backlog de nuvem dobrou no trimestre, chegando a 462 bilhões de dólares.
- AWS cresceu 28%, o mais rápido em quinze trimestres; o negócio de chips personalizados (Trainium, Graviton, Nitro) atingiu mais de 20 bilhões de dólares em run rate, com a OpenAI comprometendo 2 gigawatts de Trainium e a Anthropic até 5 gigawatts.
- Meta teve receita de 56,3 bilhões de dólares, alta de 33%; a orientação de capex para 2026 passou a 125 a 145 bilhões de dólares.
O Google saiu da nuvem: grandes players de tecnologia investiram pesado em IA no primeiro trimestre. Em meio a cobranças por capacidade e ritmo de entrega, empresas passaram a anunciar resultados e estratégias que destacam o tamanho da corrida por infraestrutura e silício sob demanda de IA.
No centro das atenções, as principais plataformas digitais anunciaram bilhões investidos em IA no primeiro trimestre de 2026. Analistas apontam que a demanda por serviços de IA superou a capacidade de entrega dos gigantes, levando a planos agressivos de expansão de data centers e hardware especializado.
A saber: Microsoft, Google, Meta e Amazon divulgaram números de faturamento e crescimento que evidenciam a aceleração dos investimentos. O valor total gasto com capex em IA nesse período foi estimado em cerca de 130 bilhões de dólares, segundo avaliações de mercado.
Entre os destaques, o Google informou crescimento expressivo na nuvem e no conjunto de produtos de IA baseados em Gemini, ainda que tenha destacado limitações de capacidade para atender a demanda. A nuvem do Google registrou crescimento de cerca de 63% no faturamento, atingindo cifras próximas a 20 bilhões de dólares.
A Microsoft reportou uma taxa de crescimento de 123% no negócio de IA, com o Copilot pago por dezenas de milhares de empresas. A Meta registrou receita de 56,3 bilhões de dólares, elevando o guidance de investimento em capital para 125 a 145 bilhões de dólares em 2026.
A Amazon também mostrou desempenho robusto, com crescimento de 28% na AWS. O segmento de hardware de chips personalizados, como Trainium e Graviton, alcançou patamar superior a 20 bilhões de dólares. O esforço de capacidade computacional incluiu acordos com parceiros de IA, como a OpenAI e a Anthropic, para uso de chips próprios.
Especialistas ressaltam que o bloco de contratos de longo prazo representa soma signficativa de compromissos entregues e não entregues. O backlog da nuvem do Google e o RPO (receita possível de contratos já assinados) da Microsoft passam de centenas de bilhões de dólares, sinalizando demanda robusta para infraestrutura, ainda sem conclusão de entrega.
O debate sobre o que move a corrida é técnico: o domínio de silício customizado e cargas de trabalho atadas a plataformas específicas aparecem como diferenciais de competitividade. Em particular, AWS, Google e Meta estão avançando em ecossistemas de hardware dedicado, o que pode influenciar o ritmo de adoção de IA entre clientes empresariais.
Observadores apontam que o ritmo da capex pode indicar não apenas demanda, mas uma espécie de corrida de armamentos entre as empresas. Caso a demanda não acompanhe o ritmo de investimento, há preocupação com impactos na geração de caixa livre de algumas companhias, especialmente a Amazon.
Segundo analistas, a próxima etapa envolve a consolidação de cadeias de suprimento, maior eficiência de chips e evolução de plataformas que permitam escala rápida. A pergunta que permanece é quando esse volume de investimento se transforma em retorno sustentável para os resultados de longo prazo.
Em síntese, o trimestre mostrou que a indústria de IA continua em ritmo acelerado, com investimentos sem precedentes e expectativas elevadas de entrega. A capacidade ociosa vem sendo cada vez mais substituída por planos ambiciosos de expansão de data centers e de fabricação de chips.
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