- Os lucros consolidados das principais siderúrgias chinesas caíram 5,1% no primeiro trimestre, para 21,7 bilhões de yuans, com margem de lucro de 1,46%; a receita somou 1,49 trilhão de yuans.
- Os custos operacionais subiram 1,5% no período, impulsionados por matérias-primas caras e impactos de conflitos geopolíticos, além do imposto de carbono da União Europeia.
- O preço de minério de ferro e carvão metalúrgico permaneceu alto, mesmo com estoques portuários recordes de 170 milhões de toneladas em abril; o minério chegou a oscilar entre 105 e 110 dólares por tonelada.
- O consumo aparente de aço bruto na China caiu 4,4% no 1º trimestre, para 220 milhões de toneladas, e os preços do aço no mercado interno recuaram 4,39%, enquanto os preços internacionais subiram 7%.
- O setor enfrenta o CBAM da UE, que pode onerar exportadores chineses em até 1,42 bilhão de euros até 2028, elevando custos e restringindo o acesso ao mercado europeu; autoridades chinesas pedem diálogo para uma abordagem mais objetiva de carbono.
Os lucros das principais siderúrgias chinesas recuaram no 1º trimestre de 2026, diante de custos elevados de matérias-primas, demanda interna fraca e o impacto financeiro do imposto de carbono da UE. O setor continua sob pressão global.
Consolidados, os ganhos somaram 21,7 bilhões de yuans, queda de 5,1% ante o 1º trimestre de 2025, com margem de lucro de 1,46%. A receita agregada ficou em 1,49 trilhão de yuans, alta de 1,2%.
Os custos operacionais subiram 1,5% no período, segundo a Associação Chinesa de Ferro e Aço. Jiang Wei atribuiu o aumento a conflitos no Oriente Médio, que elevaram petróleo, mineração e frete.
Contexto de commodities e demanda
O preço de minério de ferro e carvão metalúrgico permaneceu alto desde o fim de fevereiro, mesmo com estoques portuários recordes de 170 milhões de toneladas em abril. O minério importado variou entre US$ 105 e US$ 110 por tonelada.
As importações de minério de ferro somaram 315 milhões de toneladas no 1º tri, alta de 10,5% frente a 2025. O preço médio subiu 0,7%, para US$ 100,7 por tonelada. Carvão e coque cresceram 6,4% e 4,2%, em março.
No mercado doméstico, o consumo aparente de aço caiu 4,4% para 220 milhões de toneladas. Os preços do aço interno recuaram 4,39%, enquanto os internacionais subiram 7%. Estoques de aço nas siderúrgias cresceram 17% desde o início do ano.
Desafios internacionais e projeções
O setor enfrenta pressões do CBAM da UE, que entrou em vigor neste ano. A China contesta os valores padrão de emissão, considerando-os discriminatórios. A UE fixa em cerca de 3,2 tCO2 por tonelada de aço chinês, quase o dobro das emissões reais.
Até 2028, o imposto sobre carbono deve se expandir para derivados do aço e alumínio, elevando custos. Estimativas indicam que exportadores chineses poderão pagar até 1,42 bilhão de euros em taxas de carbono, afetando competitividade na UE.
Wang Bin, vice-secretário-geral da associação, pediu diálogo bilateral para ajustar o CBAM com base em dados objetivos, para evitar ônus adicionais conforme o bloco reduz licenças gratuitas até 2034.
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