- MC Ryan afirmou à Polícia Federal ter renda mensal de cerca de R$ 1,5 milhão e negou envolvimento em crimes financeiros.
- O depoimento ocorre no âmbito de investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro de R$ 1,6 bilhão ligado a apostas e rifas ilegais.
- Ele disse que as receitas vêm de patrocínios de bets legalizadas, shows, royalties de plataformas digitais e empresas próprias, e que não tem conhecimento de movimentações em espécie ou criptoativos.
- O artista foi preso em 15 de abril, na mesma operação que prendeu MC Poze do Rodo e outras 29 pessoas; a defesa não retornou aos contatos nesta terça-feira.
- Segundo a PF, há uma organização criminosa estruturada para lavar dinheiro de apostas; Ryan detalhou a estrutura financeira, imóveis e empresas ligadas à carreira, além de alegar que transferências de menor valor envolvem reembolsos a colaboradores.
O funkeiro Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) no âmbito de uma investigação sobre lavagem de dinheiro estimada em 1,6 bilhão de reais ligada a apostas e rifas ilegais. Em seu relato, afirmou ter renda mensal de cerca de 1,5 milhão de reais, proveniente de patrocínios de bets legalizadas, shows, royalties de plataformas digitais e de empresas ligadas à sua carreira musical. Também afirmou não ter conhecimento de movimentações de valores em espécie ou criptoativos envolvendo suas contas.
O depoimento ocorreu após a decisão da PF de prender o artista em 15 de abril, data em que foram detidos também MC Poze do Rodo, Marlon Brendon Coelho Couto Silva, dono da página Choquei, e mais 29 suspeitos. A investigação aponta a existência de uma organização criminosa estruturada para lavar dinheiro de apostas e rifas, com origem estimada em grande parte de apostas, repasses de facções criminosas e depósitos não identificados.
Segundo a PF, o montante de 1,6 bilhão de reais envolve aproximadamente 790 milhões de reais provenientes de apostas e de repasses, além de depósitos em espécie. No depoimento, MC Ryan detalhou a estrutura financeira de suas empresas, entre elas a Bololo Records Entretenimentos, a Mc Ryan SP Produção Artística Ltda e uma holding patrimonial, afirmando que as receitas vêm de shows, publicidade e direitos autorais.
O cantor apresentou ainda imóveis, incluindo a residência principal, apartamentos e uma chácara em Goiás, além de veículos de luxo. Os bens, segundo ele, estariam declarados no imposto de renda. Sobre movimentações financeiras, alegou não ter ciência de operações com dinheiro em espécie ou com criptoativos, nem participação em grupos de mensagens para remessas de valores.
Entre as linhas de investigação, estão operações com transferências de menor valor por questões operacionais, uso de contas de terceiros para pagamentos de produção musical e suposta existência de transações ligadas à publicidade de casas de apostas. Ele afirmou que tais operações seriam reembolsos a colaboradores, não sinais de ocultação de recursos, segundo o depoimento.
No interrogatório, o artista mencionou que parte das microtransações via Pix pode estar relacionada a pagamentos de publicidade ou a transferências feitas por fãs. Também citou que algumas empresas mencionadas no inquérito poderiam estar associadas a contratos de publicidade, especialmente com casas de apostas, sem trazer novos elementos que comprovem irregularidades.
Ao longo do inquérito, o juiz destacou provas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, segundo relatos publicados pela imprensa. Em relação a outras acusações, MC Poze do Rodo manteve silêncio durante o depoimento. As defesas, inclusive a do MC Ryan, não responderam de imediato aos contatos da imprensa.
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