- Em 2025, quase nove milhões de brasileiras sofreram violência digital, com média de mil casos por dia, segundo levantamento do Senado.
- O Pix, principal meio de pagamento no Brasil, permite anexar mensagens à transferência, o que tem sido usado para enviar ameaças e ofensas.
- Casos de assédio via Pix já foram relatados; há menção a Cibele, morta em fevereiro após receber ameaças pela ferramenta.
- O Banco Central criou, nesta quarta-feira, um grupo de estudos para definir medidas que impeçam o uso do Pix para esse tipo de violência.
- O objetivo é identificar ações para coibir abusos no meio de pagamentos e proteger as mulheres.
Quase nove milhões de brasileiras sofreram violência digital em 2025, segundo levantamento do Senado. O dano ocorre principalmente por meio do Pix, responsável pela maior parte das transações no Brasil e, ao mesmo tempo, por permitir mensagens junto à transferência.
O Pix funciona como meio de pagamento rápido e, ao ser usado, também pode enviar mensagens relacionadas à transação. A prática tem sido utilizada para enviar ameaças e ofensas contra mulheres, conforme o estudo. O impacto é medido por uma média de cerca de mil casos diários.
Entre os relatos, o caso de Cibele é citado: em fevereiro deste ano, antes de ser morta, ela recebeu ameaças do ex-companheiro por meio de mensagens associadas a pagamentos via Pix. Os relatos não são isolados; apontam para uma tendência preocupante no uso da ferramenta.
Grupo de estudos do BC define medidas
O Banco Central criou, nesta quarta-feira (29), um grupo de estudos para definir medidas que impeçam o envio de ameaças e ofensas contra mulheres por meio do Pix. A ideia é fortalecer regras e mecanismos de prevenção sem dificultar operações legítimas.
A atuação envolve especialistas em pagamentos, segurança digital e direitos das mulheres, com foco em soluções práticas para reduzir danos. O objetivo é preservar a eficiência do Pix como meio de pagamento, ao mesmo tempo em que se reduz a vulnerabilidade de usuários mulheres.
Analistas afirmam que as mudanças devem equilibrar facilidades de uso com salvaguardas contra abuso. O grupo vai avaliar medidas técnicas, operacionais e legais, com apresentação de propostas a autoridades regulatórias.
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