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Combustíveis fósseis pressionam a economia, diz secretário da ONU

Organização das Nações Unidas alerta que custos dos combustíveis fósseis comprimem a economia global; guerra no Oriente Médio eleva volatilidade e acelera transição para renováveis

O evento, realizado em Paris a partir das 7h (horário de Brasília), reúne líderes de governos, indústria, finanças e sociedade civil (Leandro Fonseca /Exame)
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  • O secretário-executivo da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Simon Stiell, abriu um Diálogo de Alto Nível pela Transição Energética em Paris, afirmando que a crise de custos dos combustíveis fósseis para a economia global é grave, mas pode acelerar a mudança para renováveis.
  • Ele apontou a guerra no Oriente Médio como motor de instabilidade energética, afetando orçamentos de famílias, empresas e governos ao redor do mundo.
  • O investimento em energia limpa está perto de dobrar o investimento em combustíveis fósseis em 2025, e a geração solar superou 600 terawatts-hora em relação a 2024, segundo Stiell.
  • França está ampliando o financiamento para eletrificação; Espanha e Paquistão são citados como exemplos de proteção contra impactos da crise por matriz renovável.
  • O secretário pediu que governos não usem a crise para defender fósseis no longo prazo, defendeu romper o vínculo entre preço da eletricidade e fósseis e destacou a Agenda de Ação do Acordo de Paris para transformar compromissos em projetos com metas de financiamento, incluindo US$ 1,3 trilhão para países em desenvolvimento.

O secretário-executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, abriu o Diálogo de Alto Nível pela Transição Energética, em Paris, na manhã desta quinta-feira. O objetivo é discutir a transição para energias limpas e preparar a agenda para a COP33, em Antalya, na Turquia. Stiell afirmou que a crise atual nos preços de energia não deve atrasar a mudança para renováveis.

Ele apontou a guerra no Oriente Médio como motor de instabilidade energética, com impactos que atingem famílias, empresas e governos globalmente. Apesar disso, o secretário indicou uma ironia: quem resistiu à transição fósseis está impulsionando o crescimento das renováveis no planeta.

O palestrante destacou ainda que o investimento em energia limpa se aproximava do dobro do aplicado em combustíveis fósseis em 2025, segundo seus números. A geração solar já superou 600 terawatts-hora em relação a 2024, classificado como colossal, ainda que desigual entre países.

Investimento em energia limpa

Durante o discurso, Estados como Espanha e Paquistão foram citados como exemplos de proteção aos impactos da crise por utilizarem matrizes renováveis. A França, sede do evento, anunciou ampliação do financiamento para eletrificação.

Stiell afirmou que governos aceleram planos de renováveis para restaurar segurança nacional, estabilidade econômica, competitividade e soberania. China, Índia, Indonésia, Coreia do Sul, Alemanha e Reino Unido já sinalizaram avanços que consideram a transição também uma questão de segurança.

Caminho ao US$ 1,3 trilhão

O secretário pediu para que a crise energética não seja usada para manter os fósseis a longo prazo. Ele pediu ainda a separação entre o preço da eletricidade e os combustíveis fósseis, para que o custo menor das renováveis se reflita no bolso dos consumidores.

Para acelerar a transição, Stiell defendeu a Action Agenda, mecanismo do Acordo de Paris que transforma compromissos em projetos concretos, de forma equitativa entre Norte e Sul Global. Nesta semana, governos e sociedade civil se reúnem na Colômbia para discutir a saída dos fósseis, apontou ele.

Entre as prioridades, citou maior investimento em redes elétricas, armazenamento de energia e cortes nas emissões de metano. Também enfatizou a atenção à segurança alimentar, diante da guerra que pode provocar escassez de fertilizantes e fome em 2026.

Stiell indicou que é necessário destravar o financiamento climático para países em desenvolvimento e cumprir o New Collective Quantified Goal, incluindo um roteiro para mobilizar US$ 1,3 trilhão. O encontro em Paris é o primeiro de uma série de reuniões previstas pela COP31, com metas de entregar resultados antes de novembro.

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