- O ICC Ipsos nacional ficou em 49,2 pontos em abril, pela primeira vez abaixo de cinquenta neste ano, indicando pessimismo sobre o cenário econômico.
- A queda foi de 3 pontos em relação a março, em meio a inflação elevada e incertezas.
- O componente de expectativas teve redução, sinalizando que o cenário financeiro não deve melhorar no curto prazo.
- O consumidor entrou em modo de retirada, priorizando custo-benefício e evitando compras de alto valor.
- No âmbito global, quedas em países como Estados Unidos e Reino Unido são mencionadas, com a Guerra no Irã apontada como gatilho de pessimismo.
A confiança do consumidor brasileiro caiu em abril, conforme o ICC Ipsos, para 49,2 pontos, 3 pontos abaixo de março. Pela primeira vez neste ano, o índice ficou abaixo de 50, indicando maior cautela diante do cenário econômico. O estudo tem abrangência nacional.
Segundo a Ipsos, o recuo não se restringe a uma área da economia. A queda foi mais acentuada no componente de Expectativas, que vinha sustentando o otimismo, revelando uma percepção de que a melhora pode demorar a chegar. Juros elevados e inflação de itens básicos ajudam a explicar o movimento.
Para o diretor da Ipsos no Brasil, Rafael Lindemeyer, o Brasil acompanhou a tendência de desgaste percebido em economias avançadas, com sinais de fadiga diante da inflação persistente. O recado é de que o consumidor passou a priorizar o custo-benefício e a proteção do orçamento doméstico.
O ICC também aponta deterioração nos indicadores de Situação Atual e de Investimento, que registraram quedas significativas. O cenário sugere que o brasileiro passou a adotar um “modo de retirada” de compras de alto valor e de novos investimentos, mantendo foco no básico.
Contexto global
O recuo do ICC brasileiro ocorre em meio a perdas generalizadas no mapa global de Ipsos. Estados Unidos e Reino Unido apresentaram quedas de 2,2 e 2,1 pontos, respectivamente, enquanto Alemanha caiu 1,8 ponto. Na América Latina, Argentina e Chile também recuaram, com o Chile registrando queda de 7,5 pontos.
Especialistas apontam que o choque de pessimismo tem relação com a conjuntura internacional, especialmente com impactos da instabilidade econômica que se seguiu à eclosão da Guerra no Irã no fim de fevereiro. O estudo, no entanto, não aponta causas únicas, destacando a combinação de inflação elevada, juros altos e insegurança quanto ao curto prazo.
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