- A taxa de desocupação ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, a menor para esse período desde o início da série, em 2012, segundo a PNAD Contínua do IBGE.
- O número de desocupados foi de 6,6 milhões, alta de 19,6% frente ao trimestre anterior (mais 1,1 milhão), porém queda de 13% em relação ao mesmo periodo de 2025.
- O total de ocupados somou 102 milhões, recuo de 1,0% no trimestre, mas avanço de 1,5% na comparação anual.
- A taxa de ocupação ficou em 58,2%, com queda de 0,7 ponto percentual frente ao trimestre anterior e alta de 0,4 ponto na comparação anual.
- Rendimentos médios chegaram a R$ 3.722, alta de 1,6% no trimestre e 5,5% em relação ao ano anterior, com a massa de rendimentos totalizando R$ 374,8 bilhões.
A taxa de desocupação ficou em 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, segundo a PNAD Contínua do IBGE. O resultado ficou dentro das expectativas do mercado e é o menor para esse período desde o início da série, em 2012.
Mesmo com a queda da taxa, o número de desocupados aumentou no curto prazo. Ao todo, 6,6 milhões estavam sem trabalho, alta de 19,6% frente ao trimestre anterior, o que representa mais 1,1 milhão de pessoas.
Na comparação com o mesmo período de 2025, houve queda de 13%, com 987 mil pessoas a menos sem emprego. O total de ocupados somou 102 milhões, queda de 1,0% no trimestre, mas aumento de 1,5% ante o ano anterior.
O nível de ocupação ficou em 58,2%, com recuo de 0,7 ponto percentual frente ao trimestre anterior e alta de 0,4 ponto anual. O movimento indica recuperação em prazos mais longos, ainda que o curto prazo tenha pressionado.
A variação está associada a fatores sazonais do início do ano, como ajustes em setores que demitem ou contratam. No comércio, a perda de pessoal atingiu vendedores, balconistas e atendentes, e houve ajuste na educação básica da rede pública municipal.
Esse padrão sazonal costuma se repetir nos primeiros trimestres. A pesquisadora Adriana Beringuy afirmou que esse comportamento é comum e explica parte dos resultados do trimestre.
A taxa composta de subutilização ficou em 14,3% no trimestre, alta de 0,9 ponto ante o período anterior, mas queda de 1,6 ponto ante 2025. No total, 16,3 milhões estavam em subutilização, com alta de 6,6% no trimestre.
Entre os componentes, o grupo que trabalha menos horas do que gostaria ficou estável em 4,4 milhões. A população fora da força de trabalho somou 66,5 milhões, estável no trimestre e 1,3% acima no ano.
A população desalentada chegou a 2,7 milhões, sem mudança no trimestre, mas queda de 15,9% anual. Entre os grupos, o emprego no setor privado somou 52,4 milhões, queda de 1,0% no trimestre, mas aumento de 1,1% em relação ao ano passado.
O emprego com carteira assinada ficou em 39,2 milhões, estável no trimestre e 1,3% acima no ano. Os trabalhadores sem carteira somaram 13,3 milhões, queda de 2,1% no período.
No setor público, 12,7 milhões estavam ocupados, com queda de 2,5% no trimestre e alta de 3,7% anual. Entre os trabalhadores por conta própria, o total foi 26,0 milhões, estável no trimestre e 2,4% acima no ano.
A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada, representando 38,1 milhões. O índice recuou tanto ante o trimestre anterior quanto ante o mesmo período de 2025.
Os rendimentos seguiram em alta. O ganho médio habitual foi de R$ 3.722, alta de 1,6% no trimestre e 5,5% anual, chegando ao maior valor da série. A massa de renda somou R$ 374,8 bilhões, estável no trimestre e 7,1% acima no ano.
Entre os destaques do trimestre, o ganho apareceu com variações concentradas em comércio e atividades públicas. Em comparação anual, houve crescimento da renda em seis grupos, com estabilidade em outros.
Análise de especialistas
Economistas veem sinais mistos e cautela diante da sazonalidade. O mercado de trabalho mostra moderação, com a taxa de desemprego no maior nível desde set/2025, apesar da renda em alta.
Outro economista aponta que a alta do desemprego no início do ano é comum, principalmente após contratos temporários terminarem. A ocupação continua a crescer e a renda mantém ritmo estável.
Para o setor financeiro, a massa salarial tem aceleração e aponta tendência de desaquecimento gradual no curto prazo, sem reversão brusca, diante de fatores externos e da política de juros.
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