- O Governo anunciará nos próximos dias o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas para pessoas físicas e empresas.
- Em fevereiro de dois mil e vinte e seis, o endividamento das famílias atingiu cinquarenta e nove vírgula nove por cento da renda acumulada nos últimos doze meses, o maior valor desde o início da série em março de dois mil e onze.
- O comprometimento da renda com o serviço da dívida chegou a trinta por cento em fevereiro, o nível mais alto da série histórica, indicando peso mensal significativo dos pagamentos.
- Dados do Banco Central mostram que, embora o estoque de endividamento seja menor que em países como China e Estados Unidos, o peso das prestações supera a média global devido ao spread e aos juros elevados.
- O Desenrola 2.0 é visto como paliativo diante do cenário de crédito com juros altos e amortização relativamente baixa.
O governo federal anunciará nos próximos dias o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas e empresas. A proposta surge em meio a um endividamento ainda elevado, apesar de alívio observado com a edição anterior, em 2024.
Segundo o Banco Central, o endividamento das famílias atingiu 49,9% da renda acumulada em 12 meses, em fevereiro de 2026. O indicador combina empréstimos com prazos variados, de meses a financiamentos de até 35 anos.
O mesmo período mostra o peso do serviço da dívida: 29,7% da renda mensal é destinada ao pagamento de empréstimos. O patamar representa máxima histórica para a série, iniciada em 2011, e evidencia pressão sobre o orçamento familiar.
Contexto do endividamento
O cenário envolve juros e spreads elevados no Brasil, o que encarece o crédito frente a outros países, mesmo com a economia operando com taxas de captação altas. O índice de dívida consolida-se como um obstáculo à desaceleração da inadimplência.
Dados do BIS indicam que, no terceiro trimestre de 2025, o estoque de endividamento das famílias ficou em torno de 37% do PIB, abaixo de 59% da China e 68% dos EUA. Contudo, o indicador de serviço da dívida é maior no Brasil, em 28% da renda, frente a 18,8% e 14,1% nesses países.
Desenrola 2.0 em avaliação
A renegociação de crédito continua sendo discutida como instrumento de moderação das faturas. A análise técnica aponta que o programa pode reduzir temporariamente o peso das prestações, mas não altera de maneira estruturante o ambiente de spreads elevados e juros. Especialistas apelidam a medida de paliativo dentro do atual regime de crédito.
Entre na conversa da comunidade