- Estudo Circularity Gap Report 2026 aponta perdas anuais de € 25,4 trilhões, quase 31% do PIB global (€ 82,6 trilhões).
- Desperdícios vão desde alimentos até materiais descartados cedo e energia mal aproveitada, com recursos que saem do ciclo antes de gerar valor.
- A circularidade global recuou de 7,2% para 6,9%, indicando que a extração de recursos ainda supera a reutilização.
- Solução não é apenas reciclagem: envolve ampliar a vida útil de produtos, reaproveitar componentes e reduzir perdas para preservar valor e riqueza.
- No Brasil, especialistas dizem que o desafio é implementação, escala e coordenação entre empresas, governo, academia e setor financeiro.
O mundo perde cerca de um terço do que produz a cada ano. Um estudo estima desperdício equivalente a € 25,4 trilhões (R$ 148,8 trilhões) por ano, o que representa quase 31% do PIB global, estimado em € 82,6 trilhões (R$ 483,9 trilhões). Em termos simples: a cada € 3 gerados, € 1 se perde.
A pesquisa mostra que perdas vão além de crises financeiras, abrangendo alimentos desperdiçados, materiais descartados cedo, energia mal aproveitada e ativos que saem do circuito produtivo antes de gerar valor completo. O relatório aponta a circularidade como chave para reduzir desperdícios e preservar riqueza.
O estudo Circularity Gap Report 2026, elaborado pela Circle Economy com a Deloitte Netherlands, analisa perdas econômicas associadas à baixa circularidade. A edição atual mede não apenas impactos ambientais, mas também ineficiências produtivas que drenam valor.
Um alerta importante é a queda da circularidade global, de 7,2% para 6,9%. Mesmo assim, o mundo continua extraindo recursos mais rápido do que consegue reaproveitar, ampliando riscos para cadeias de suprimento e produtividade.
Os autores defendem a Lacuna de Valor, conceito que questiona o PIB como único indicador de prosperidade. Mesmo com crescimento econômico, países podem perder valor por ineficiências na cadeia de produção e consumo.
A reportagem analisa que a economia circular é mais do que reciclagem. O foco é manter produtos e componentes em uso, reduzir perdas de alimentos e otimizar o uso de recursos já em circulação, com ganhos de eficiência e resiliência.
Entre as iniciativas citadas estão a remanufatura de equipamentos, a redução de perdas em cadeias produtivas e o reaproveitamento de insumos. Modelos de negócio voltados para maior vida útil de produtos também aparecem como soluções.
Beatriz Luz, presidente do IBEC, observa que a circularidade precisa sair da visão de problema para tratar-se como estratégia econômica. Expandir a análise para além de lixo e poluição facilita a compreensão do seu potencial econômico.
Ela aponta que a implementação depende de cooperação entre empresas, setor público, academia e instituições financeiras, além de políticas baseadas em dados. Transformar informações em ações é o próximo passo.
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