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NR-1 coloca a saúde mental como risco estratégico

NR-1 transforma saúde mental em eixo estratégico, exigindo gestão de riscos psicossociais com liderança transversal e impactos em custos, produtividade e reputação

Foto: Unsplash / DINO
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  • A NR-1 passa a exigir gestão de riscos psicossociais, tornando a saúde mental tema central na agenda de negócios e impactando produtividade, custos e reputação.
  • Riscos psicossociais são difíceis de identificar, incluem metas excessivas, jornadas longas, falta de apoio e conflitos, e podem gerar estresse, ansiedade, depressão e burnout, afetando desempenho e absenteísmo.
  • Há risco de “compliance de fachada”: estruturas formais podem parecer em conformidade sem efetividade prática, elevando exposição a auditorias e à percepção de mercado.
  • A gestão deve ser transversal, envolvendo liderança e áreas como RH e compliance; dados de turnover, absenteísmo, canais de denúncia e clima organizacional precisam ser conectados de forma estratégica.
  • A NR-1 entrou em vigor em maio de 2025, com fiscalização a partir de 2026; implementar a agenda pode reduzir passivos trabalhistas e gerar vantagem competitiva pela melhoria de engajamento, produtividade e reputação.

A nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passa a exigir a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, colocando a saúde mental no centro da agenda das empresas. A obrigação regulatória ganha contornos de responsabilidade corporativa, impactando produtividade, custos e reputação.

Especialistas avaliam que os riscos psicossociais são menos visíveis, porém mais determinantes do desempenho. Metas excessivas, jornadas extensas, falta de apoio, conflitos interpessoais e assédio podem gerar estresse, ansiedade e burnout, afetando absenteísmo e rotatividade.

Além de evitar fraudes de compliance, as organizações precisam evitar a aparência de conformidade ineficaz. Estruturas formais sem efetividade real elevam o risco reputacional e podem piorar auditorias e percepções do mercado.

O que mudou com a NR-1

A norma exige uma abordagem transversal, não apenas uma área isolada como RH ou compliance. A liderança passa a ter envolvimento direto na definição dos vetores de risco, incluindo metas, autonomia e clima organizacional.

Dados internos já existentes, como indicadores de turnover, absenteísmo, canais de denúncia e pesquisas de clima, devem ser conectados e interpretados de forma estratégica para orientar ações práticas.

Desafios e riscos operacionais

O desafio não está apenas em cumprir a norma, mas em evitar um “teatro de compliance”. Programas bonitos no papel não protegem a empresa e podem ampliar a exposição em auditorias e na percepção de mercado.

Segundo especialistas, o maior risco é não tratar o tema com a profundidade necessária. A gestão de riscos psicossociais é multifatorial e está fortemente ligada à cultura e à liderança.

Liderança, dados e transformação

A transformação exige participação da alta gestão, não ficando restrita a uma área específica. Líderes definem as condições que elevam ou reduzem o risco, como metas, pressão e clima organizacional.

A atuação com dados já disponíveis facilita o começo. Indicadores de turnover, rotatividade e pesquisas de clima ajudam a consolidar ações estruturadas.

Benefícios e ganhos potenciais

A implementação bem estruturada pode reduzir passivos trabalhistas, num cenário de aumento de ações judiciais em 2024. Além disso, fortalece cultura organizacional e qualidade do ambiente de trabalho.

A NR-1 também pode facilitar a obtenção do Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, previsto na Lei 14.831/24, fortalecendo reputação e atratividade corporativa.

Adaptação e perspectivas

A NR-1 entrou em vigor em maio de 2025, com período educativo. A fiscalização com autuações começa em 2026 para quem não estiver em conformidade.

Especialistas destacam que poucas empresas estão plenamente prontas, mas a procrastinação é mais arriscada. O momento atual favorece quem estruturar a agenda com foco em riscos psicossociais.

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