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Placas solares impulsionam derrocada de comercializadoras de energia

Placas solares elevam volatilidade de preços e desarranjo entre comercializadoras, levando algumas à recuperação judicial

Painéis solares para captação de energia
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  • Cinco comercializadoras entraram com recuperação judicial devido a anomalias na formação de preço da energia e à atuação da geração de placas solares, com possível agravamento se o governo não agir.
  • A mudança no cálculo do PLD, feito hora a hora desde 2025, ampliou o desequilíbrio entre sobra e falta de energia e afetou o caixa das empresas.
  • A geração distribuída por placas solares elevou a oferta em horários de baixa demanda, levando ao curtailment de hidrelétricas e a desligamentos no sistema.
  • As mudanças criaram custos adicionais, com maior necessidade de contratação de termelétricas caras e impactos na liquidez das comercializadoras.
  • CCEE e Aneel estudam melhorias regulatórias e sanções; a Tradener pediu recuperação judicial para manter operações e atender clientes durante as negociações.

A poucos anos de avanços regulatórios, várias comercializadoras de energia enfrentam dificuldades financeiras decorrentes de falhas no controle da oferta e de uma formação de preço volátil. Cinco empresas já buscaram recuperação judicial, e outras podem seguir o mesmo caminho se não houver ações firmes do governo.

O gatilho veio da junção de anomalias no preço do kilowatt-hora e da expansão da geração por placas solares distribuídas. A prática de desligar hidrelétricas em horários de baixa demanda contemplou o que especialistas chamam de curtailment, ampliando o desequilíbrio entre compra e venda no mercado.

No centro do problema estão a Tradener, IBS Energy, 2WEcobank, Grupo Gold e Eletron Energia. A Electra também avalia renegociação extrajudicial. As empresas afirmam que o mecanismo de ajuste do PLD passou a provocar perdas significativas desde janeiro de 2025, com mudanças regulatórias recentes.

Mudança no modelo de cálculo

Antes de 2021, as operações entre aquisição de energia (lastro) e entrega (vendas) ocorriam mensalmente, com amortização de diferenças ao longo do mês. Hoje, o PLD é definido hora a hora, com liquidação para o dia seguinte, impactando o fluxo de caixa das comercializadoras.

A Tradener informou que, até 2024, os cenários de sobra ou falta de energia se equilibravam ao longo das horas, mas as mudanças regulatórias a partir de 2025 passaram a ampliar perdas. A sobreoferta de energia de usinas solares pressiona o preço e provoca volatilidade.

Sobreoferta e curtailment

A geração distribuída de solar aumentou a oferta em horários com demanda menor, levando o Operador Nacional do Sistema a determinar o desligamento de usinas hidrelétricas. Pequenos produtores conectados à rede dificultam o monitoramento pela usina, exigindo ajustes regulatórios.

Parques eólicos também apareceram entre os ativos que receberam incentivos para desligamento. O governo estuda medidas para que distribuidoras tenham maior controle sobre a energia intermitente, buscando reduzir impactos no planejamento. A queda de geração hidrelétrica já foi observada por quem negocia no mercado.

Cenário de custo e riscos

Com o PLD passando a refletir a variabilidade das fontes, as diferenças entre a curva de geração e a de consumo geram prejuízos para as empresas que precisam cumprir contratos. Termelétricas flexíveis, com custos mais elevados, foram acionadas para suprir o previsto, elevando despesas.

Essa combinação de fatores levou a quebras de caixa, especialmente entre empresas de menor porte, e à busca de renegociações de dívidas. O ambiente exige gestão de risco mais apurada e maior liquidez para sustentar operações.

Reação institucional e caminhos de solução

A Câmara Comercializadora de Energia Elétrica endossa que o PLD reflete a maior participação de fontes renováveis e a descentralização da matriz, demandando ajustes de custo. A CCEE sinaliza avanços no Monitoramento Prudencial para identificar riscos precocemente.

Enquanto isso, o planejamento de sanções para agentes inadimplentes avança junto à Aneel. A Tradener, por sua vez, afirma manter operações estáveis durante a renegociação, buscando entregar energia conforme contratos, com mediação para chegar a uma solução equilibrada para todas as partes.

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