- A Samsung alerta sobre uma severa escassez de suprimentos na indústria de semicondutores a partir de 2027, impulsionada pela demanda de infraestrutura de IA.
- O ritmo de expansão da IA deve superar a capacidade produtiva no curto prazo, segundo a empresa.
- O executivo Kim Jaejune afirmou que o desequilíbrio entre oferta e demanda previsto para o próximo ano pode ser ainda maior do que o projetado para 2026.
- A Samsung já começou a fechar contratos plurianuais com clientes para garantir o fornecimento de componentes no futuro.
- A pressão da IA atinge também celulares e outros dispositivos: a divisão móvel registrou queda de 35% no lucro operacional no primeiro trimestre, diante do aumento de custos de componentes.
A Samsung informou que a indústria global de semicondutores pode vivenciar uma severa escassez de suprimentos a partir de 2027. O alerta foi feito durante uma conferência com analistas, com foco na expansão acelerada da infraestrutura de inteligência artificial e na dificuldade de acompanhar o ritmo com a capacidade de produção.
O executivo Kim Jaejune afirmou que o desequilíbrio entre oferta e demanda deve piorar em 2027 em relação a 2026. A empresa já sinalizou contratos plurianuais vinculativos com clientes para assegurar fornecimento futuro de componentes.
Segundo a Reuters, a Samsung iniciou a produção em massa da memória de alta largura de banda HBM4, voltada para a plataforma Vera Rubin da Nvidia. O movimento acompanha o aumento de investimentos em data centers.
Corrida pela IA pressiona a produção
A demanda por infraestrutura de IA é o principal impulsionador do cenário. A Samsung, junto de outras fabricantes, está direcionando parte significativa de sua capacidade produtiva para memórias more avançadas, como a HBM.
O ritmo de entrega de novas fábricas, conhecido como lead time, dificulta a absorção dos investimentos anunciados por gigantes como Microsoft, Alphabet e Amazon. Esses contratos aumentam a pressão sobre a cadeia de suprimentos.
O mercado de memórias convencionais, usadas em PCs, servidores e smartphones, também é afetado. A escassez impacta diversos segmentos, mesmo com a expansão de capacidades de produção.
Pressão já aparece em celulares e eletrônicos
A divisão de dispositivos móveis da Samsung registrou queda de lucro operacional no primeiro trimestre, atribuída ao aumento de custos com componentes. Analistas ressaltam tendência de retração na demanda por smartphones.
Estima-se, por parte de analistas, uma redução de vendas globais de celulares em cerca de 12% em relação ao ano anterior. A área de displays também reportou recuo de ganhos devido à pressão na cadeia de suprimentos.
A empresa tem seguido com reajustes de preços em linhas como smartphones e tablets, inclusive nos Estados Unidos. Não se espera melhora de preços ao consumidor antes de 2028.
Lucro e riscos no setor de semicondutores
Enquanto as divisões móveis sofrem, a operação de semicondutores da Samsung apresentou lucro recorde de aproximadamente US$ 36,1 bilhões, um incremento de 49 vezes frente ao mesmo período do ano anterior. O desempenho respondeu pela maior parte do lucro operacional da companhia.
Paralelamente, a Samsung monitora riscos internos que podem agravar ainda mais a oferta global de chips. Na Coreia do Sul, sindicatos avaliam possibilidade de greve em negociações salariais, o que poderia impactar a produção.
A companhia mantém o olhar atento ao equilíbrio entre demanda de IA, capacidade de fabricação e custos, buscando minimizar impactos sobre o fornecimento de componentes para clientes e mercados.
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