- A relação entre Brasil e Estados Unidos evoluiu para além da balança comercial, passando pela integração produtiva, investimentos, tecnologia e cadeias industriais.
- Em 2024, 33,7% do comércio entre as empresas do mesmo grupo econômico movimentou US$ 31 bilhões entre Brasil e EUA, refletindo produção integrada em cadeias globais.
- Em 2025, o comércio de bens entre os dois somou US$ 94,3 bilhões, com exportações americanas para o Brasil de US$ 54,4 bilhões e importações de US$ 39,9 bilhões (saldo de US$ 14,4 bilhões a favor dos EUA).
- O comércio de serviços registrou US$ 36,1 bilhões em 2024, sendo US$ 29,6 bilhões de exportações dos EUA para o Brasil e US$ 6,5 bilhões de serviços brasileiros para os Estados Unidos.
- O crescimento da parceria inclui maior presença de multinacionais, foco em tecnologia, energia, minerais críticos, infraestrutura e aumento de investimentos para ampliar produtividade e inserção em cadeias globais de maior valor agregado.
Brasil e Estados Unidos avançam para uma relação mais integrada, além do comércio tradicional. A parceria abrange cadeias produtivas, investimentos, tecnologia, energia e inovação, em um momento de reorganização global das cadeias de suprimentos.
Dados indicam essa transformação. Em 2024, 33,7% do comércio entre Brasil e EUA ocorreu entre matrizes, filiais e subsidiárias do mesmo grupo, totalizando US$ 31 bilhões. Ou seja, produção e insumos circulam dentro de estruturas multinacionais.
O vínculo bilateral não se resume à balança comercial. Em 2025, o comércio de bens entre os dois países ficou em US$ 94,3 bilhões, com exportações americanas de US$ 54,4 bilhões ao Brasil e importações de US$ 39,9 bilhões. O saldo foi favorável aos EUA em US$ 14,4 bilhões.
Integração produtiva transforma a relação
O comércio intrafirma revela uma relação produtiva: setores estratégicos ganham intensidade, como tecnologia, energia, indústria de transformação, máquinas e transportes. O Brasil passa a atuar também como hub de produção, inovação e serviços especializados.
Factores impulsionam o avanço: maior presença de multinacionais americanas no Brasil conectadas às matrizes; agenda de tecnologia, dados, cibersegurança, IA e saúde digital; segurança nas cadeias de suprimentos; e interesse em minerais críticos e transição energética.
Tecnologia, energia e serviços ganham protagonismo
O peso de serviços, tecnologia e inovação cresce nas trocas bilaterais. Em 2024, o comércio de serviços entre Brasil e EUA atingiu US$ 36,1 bilhões, com US$ 29,6 bilhões de exportações americanas e US$ 6,5 bilhões de importações brasileiras.
A relação também enfatiza energia e minerais críticos. O Brasil tem ativos em biocombustíveis, petróleo, gás e mineração, enquanto os EUA trazem capital e tecnologia para impulsionar a produção, infraestrutura e inovação no âmbito bilateral.
Investimento como eixo central
Investimentos diretos passam a ser parte essencial da parceria. A ApexBrasil aponta que empresas apoiadas em 2025 representaram quase 44% das exportações brasileiras, ou US$ 153,2 bilhões, em um total de US$ 348,7 bilhões em vendas externas. Políticas de promoção comercial ampliam a presença brasileira.
Os EUA atuam como parceiro estratégico pela dimensão de seu mercado e pela capacidade de investimento em setores industriais, tecnológicos e de infraestrutura, favorecendo a inserção brasileira em cadeias globais de maior valor agregado.
Rumo a uma relação estratégica na nova economia
A relação Brasil–EUA tende a ficar menos vinculada apenas à balança de bens. A integração produtiva, com fluxo de tecnologia e investimentos, amplia o papel de cada país na economia global. O caminho é transformar comércio em produção, produção em inovação e inovação em ganho de produtividade.
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