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Déficit nominal atinge quase 10% do PIB e pressiona dívida pública

Déficit nominal chega a 9,41% do PIB em doze meses até março, pressionando a dívida pública, com ganhos de swaps contábeis mascarando parte do rombo

— Foto: Pixabay
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  • O déficit público nominal nos 12 meses até março foi de R$ 1,217 trilhão, ou 9,41% do PIB, apoiado por ganhos com swaps cambiais do Banco Central.
  • O ganho com swaps foi de R$ 97,2 bilhões (0,75% do PIB); sem esse reflexo, o déficit nominal subiria para 10,16% do PIB.
  • Em março, a dívida bruta atingiu 80,1% do PIB; projeção de Bradesco é chegar a próximo de 83% em 2026.
  • O déficit primário ficou em R$ 137,1 bilhões (1,06% do PIB); os gastos com juros somaram R$ 1,080 trilhão nos 12 meses, equivalentes a 8,35% do PIB.
  • Precatórios concentrados em março e elevação de gastos com juros, influenciados pela Selic elevada, mantêm o déficit nominal alto, com risco de sinais de piora no curto prazo.

O déficit público nominal, que inclui gastos com juros, atingiu R$ 1,217 trilhão nos 12 meses até março, equivalentes a 9,41% do PIB. O valor ficou perto de 10% do PIB por causa dos ganhos com swaps cambiais do Banco Central, que somaram R$ 97,2 bilhões (0,75% do PIB).

Sem esse ganho contábil, o déficit nominal chegaria a 10,16% do PIB no período. Em 2025, o rombo foi de 8,34% do PIB. Em março, o endividamento bruto alcançou 80,1% do PIB, com projeção de alta a cerca de 83% em 2026, segundo estimativas de instituições privadas.

Composição e desdobramentos

Os gastos com juros somaram R$ 1,080 trilhão nos 12 meses até março (8,35% do PIB). O déficit primário ficou em R$ 137,1 bilhões (1,06% do PIB), acima do saldo de fevereiro. Precatórios quitados em março totalizaram R$ 68 bilhões, conforme avaliação do Bradesco.

Os resultados regionais também repercutiram negativamente, com déficit primário de R$ 5,4 bilhões em março, ante superávit de R$ 6,5 bilhões em março de 2025. Também pesou a elevação da despesa com juros, impulsionada pela Selic alta, que elevou as despesas financeiras do setor público consolidado a R$ 118,9 bilhões no mês.

Os analistas apontam que, sem o ganho com swaps, a despesa de juros em 12 meses até março seria de aproximadamente R$ 1,118 trilhão (9,1% do PIB). Se o real se desvalorizar nos próximos meses, podem ocorrer perdas nos swaps cambiais e aumento adicional dos gastos com juros.

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