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Bets tiram o capital do consumo, afirma CEO da Mondial

CEO da Mondial afirma que apostas drenam capital do consumo; mira Argentina entre as três maiores até 2027 e eleva participação externa para 4% a 5%

Giovanni Cardoso antes de treino da equipe de remo do Corinthians, na raia olímpica da USP
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  • A Mondial, líder em eletroportáteis, tem cerca de quarenta por cento de participação de mercado e não cogita abertura de capital (IPO).
  • A marca atua nos Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Paraguai e Guatemala, representando dois por cento do negócio; a meta é chegar a entre quatro e cinco por cento.
  • Na Argentina, foi criada uma sucursal para entregas rápidas, com o objetivo de ficar entre as três principais marcas no país até dois mil e vinte e sete.
  • No Brasil, a competição de televisores é mais intensa com asiáticos; no setor de eletroportáteis o mercado é de baixo valor agregado, com frete alto e logística复杂, enquanto linhas de TV e branca atraem margens maiores.
  • A Mondial não planeja IPO nem aquisições; foca no crescimento orgânico. Um novo motor sem escovas, com corrente contínua e terras raras, está em desenvolvimento há três anos e deve reduzir custos à medida que escala.

Giovanni Cardoso, CEO da Mondial, analisa o cenário do setor de eletroportáteis e traça metas para a marca no mercado argentino. O executivo aponta que as “bets” no consumo elevam o risco de endividamento das famílias, impacto que observa no ambiente macroeconômico brasileiro.

A Mondial mantém participação relevante no mercado doméstico, com cerca de 40% de share em eletroportáteis. Apesar disso, o grupo prefere não perseguir um IPO, mantendo o foco em expansão orgânica e consolidação de market share ao longo dos próximos anos.

Além do Brasil, a Mondial atua nos EUA, Argentina, Bolívia, Paraguai e Guatemala, representando cerca de 2% do negócio. A projeção é chegar a 4%–5% dessas operações no portfólio já nos próximos períodos.

Expansão internacional

Cardoso detalha a aposta na Argentina, onde a Mondial criou uma sucursal para entregas rápidas, buscando diferenciar-se pela logística. O objetivo é ficar entre as três principais marcas no país até 2027, com melhoria de fluxo de pagamentos após mudanças regulatórias locais que reduziram a intermediação.

Na prática, a entrada argentina ganhou fôlego com a desintermediação de pagamentos entre comprador e vendedor. A empresa planeja ampliar exportações e acelerar o desempenho do negócio local para sustentar o crescimento.

Competitividade e cenário macro

O executivo comenta a competitividade no Brasil, indicando que o segmento de TV sofre maior pressão de marcas coreanas e chinesas, enquanto eletroportáteis enfrentam menor competição por valor, frete e logística. Linhas de TV e linha branca, porém, passam a atrair margens maiores, o que aumenta a atratividade de importações.

Questionado sobre o cenário macro, Cardoso cita custos de insumos e juros internacionais, destacando diferenças de produtividade e câmbio. O tom é de vigilância sobre impactos de políticas públicas e condições de crédito para o varejo.

Inovação de produto

A Mondial tem investido em inovação com foco em motores sem escovas e tecnologia de corrente contínua para linha de cuidados pessoais. O desenvolvimento, iniciado há três anos, ganhou escala e promete reduzir custos, com melhoria de eficiência e performance.

Conclui o executivo que o portfólio da Mondial atende a diferentes faixas de renda, mantendo o objetivo de oferecer produtos de boa relação custo-benefício para a base da pirâmide. A empresa mantém o lema de volume e alcance para sustentar o crescimento.

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