- O Desenrola 1 beneficiou 14,8 milhões de pessoas e renegociou débitos de R$ 53,2 bilhões, principalmente entre os mais pobres, entre julho de 2023 e maio de 2024.
- A inadimplência dos empréstimos bancários caiu de 4,18% em junho de 2023 para 3,62% em junho de 2024, mantendo-se estável depois.
- O gasto das famílias com juros e amortização caiu de 28,2% em junho de 2023 para 26,8% em junho de 2024, com a relação empréstimos/receita familiar recuando de 48,4% para 47,7% no mesmo período.
- A Selic caiu de 13,75% ao ano para 10,5% ao ano; a taxa média de juros para pessoas físicas nos bancos passou de 36,6% para 32,5%.
- As percepções de endividamento não mudaram muito: em março de 2026, 80,4% estavam endividados, 29,6% com contas em atraso e 12,3% sem condições de pagar; o Desenrola 2 foi anunciado para tentar impactar a votação de Lula, mas o efeito esperado é modesto.
O governo anunciou, nesta segunda-feira, o Desenrola 2, conhecido como Novo Desenrola Brasil, com apoio do Tesouro, para incentivar renegociação de dívidas e reduzir inadimplência. A medida chega para complementar o programa anterior, lançado durante o governo Lula para fortalecer o pagamento de débitos.
O Desenrola 1 beneficiou 14,8 milhões de pessoas e renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas, entre 2023 e 2024, principalmente de renda mais baixa. Embora tenha aliviado parte das famílias, não houve mudança relevante no quadro geral do crédito.
Desempenho de crédito e contexto econômico
Dados do BC apontam queda na inadimplência de empréstimos de pessoas físicas de 4,18% (jun/2023) para 3,62% (jun/2024), com estabilização depois. O gasto com juros e amortização caiu de 28,2% para 26,8% no mesmo período, antes de subir novamente.
A Selic passou de 13,75% para 10,5% ao ano; a taxa média de juros para pessoas físicas caiu de 36,6% para 32,5%. O ICC ampliou a leitura de custo de crédito, mas permaneceu próximo do menor nível dos últimos quatro anos.
A percepção de endividamento sofre pouca variação: 78,5% se declaravam endividados em jun/2023, 78,8% em jun/2024, com 29,2% em atraso e 12% sem condições de pagar. Em mar/2026, o cenário mostrou 80,4% endividados, 29,6% em atraso e 12,3% sem condições de quitar.
Perspectivas para Lula e para o crédito
Especialistas apontam que o Desenrola 1 teve efeito limitado sobre a trajetória geral de inadimplência e crédito. A queda de juros e a renegociação podem, a curto prazo, reduzir o aperto financeiro de parte da população.
Elevar a adesão ao Desenrola 2 pode influenciar a percepção de gestão econômica, mas não está claro se impactará significativamente a popularidade de Lula. O conjunto de fatores que envolve dívida, crédito e confiança no governo segue complexo.
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