- A dívida pública dos EUA superou 100% do PIB em março, marco histórico desde 1946.
- Em 31 de março, a dívida total somava US$ 31,265 trilhões e o PIB dos 12 meses anteriores foi US$ 31,216 trilhões, elevando a relação dívida/PIB para 100,2%.
- O déficit orçamentário previsto para este ano é de US$ 1,9 trilhão, ou cerca de 6% do PIB.
- O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) projeta que a dívida atinja 108% do PIB em 2030 e chegue a 120% daqui a dez anos.
- O custo com juros representa hoje parte significativa dos gastos federais, com US$ 1 em cada US$ 7 reservado para pagamento de juros.
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou 100% do PIB em março, atingindo US$ 31,265 trilhões. O PIB dos 12 meses anteriores ficou em US$ 31,216 trilhões, segundo dados do Departamento de Análise Econômica. O endividamento passou a 100,2% do PIB, acima de 99,5% no último ano fiscal.
Esse patamar é histórico para a economia americana desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1946. A marca mostra as dificuldades fiscais enfrentadas pelo governo, mesmo com a moeda de reserva global em jogo e títulos considerados porto seguro para investidores.
O governo sob a gestão de Donald Trump registra déficits anuais expressivos, próximos a 6% do PIB. O déficit orçamentário previsto para este ano é de US$ 1,9 trilhão, variando conforme gastos com a guerra no Irã, reembolsos de tarifas e a força da economia.
Contexto fiscal e projeções
A relação dívida/PIB sinaliza o peso do endividamento. Com o aumento, parte de recursos fica destinada ao pagamento de juros. Hoje, US$ 1 em cada US$ 7 dos gastos federais é usado para juros, segundo o CBO.
O CBO divulgou, no início de 2026, projeções para os próximos dez anos. A estimativa aponta que a dívida pode alcançar 108% do PIB em 2030 e chegar a 120% do PIB em 2036, se nada mudar.
Economistas destacam que o patamar elevado eleva sensibilidade a juros. Segundo Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, a situação exige atenção dos líderes em Washington.
Entre os impactos potenciais, o relatório cita possível desaceleração do crescimento e menor investimento privado, além de maiores custos com juros para o serviço da dívida. O período também reforça o uso contínuo de recursos públicos para sustentar o endividamento.
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