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Mulher idosa enfrenta dívidas e dificuldades financeiras

Mulheres com 60 anos ou mais enfrentam renegociação de dívidas com maior dificuldade e ampliam endividamento para cuidar de filhos e netos

Feirão da Serasa para limpar o nome, em São Paulo - Karime Xavier - 29.nov.22/Folhapress
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  • O Brasil começou 2026 com metade da população adulta endividada; 82,8 milhões estavam inadimplentes em março, segundo a Serasa.
  • Deste total, 19,8% tinham mais de 60 anos, o que representa cerca de 16,3 milhões de idosos endividados.
  • Entre 2020 e 2026, o número de pessoas idosas inadimplentes cresceu 61,9%, bem acima do ritmo de envelhecimento da população.
  • As idosas têm mais dificuldade de renegociar dívidas e, após os 60 anos, costumam contrair crédito para filhos e netos, principalmente por meio de empréstimo consignado.
  • As causas apontadas para o endividamento dessa faixa são renda baixa e juros elevados; reformas da Previdência reduziram o valor de muitos benefícios, aproximando o sistema de repartição de um programa de assistência social.

O Brasil encerrou março de 2026 com 82,8 milhões de inadimplentes, segundo a Serasa. Deste total, 16,3 milhões têm mais de 60 anos, representando 19% dos inadimplentes. A maioria da população idosa já enfrenta dívidas, ainda que o peso varie por faixa etária.

Entre os 26 e 59 anos, a inadimplência é maior, com cerca de 35% em atraso. Porém, o contingente de idosos endividados cresceu 61,9% entre 2020 e 2026, acima da velocidade de envelhecimento da população.

O fenômeno afeta homens e mulheres quase igualmente, mas as idosas enfrentam dificuldades maiores para renegociar dívidas. Esse grupo tem entrado no crédito em maior medida para sustentar famílias, filhos e netos, especialmente via empréstimos consignados.

A pesquisa aponta que a raiz do endividamento não se resume à educação financeira. A renda baixa e altas taxas de juros aparecem como fatores centrais, agravados pela queda do valor das aposentadorias desde reformas da Previdência.

A transformação do sistema de repartição, com parcela significativa de benefícios referente a um salário mínimo, amplia a vulnerabilidade de quem depende desse rendimento para arcar com dívidas.

Especialistas ressaltam que o endividamento entre idosos é um fenômeno recente, vinculado a mudanças na participação feminina no mercado de trabalho e na função de cuidado dentro das famílias.

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