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O destino da montadora brasileira que fez um carro elétrico em 1974

Gurgel lançou o Itaipu E150, primeiro carro elétrico da América Latina, mas a empresa faliu após a decisão tributária de Collor

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  • Fundada em 1969, em São Paulo, a Gurgel montadora desenvolveu chassis, carroceria e motor próprios, produzindo cerca de 40.000 veículos em 25 anos.
  • Em 1974, lançou o Itaipu E150, o primeiro carro elétrico da América Latina, com baterias recarregáveis em qualquer tomada.
  • A marca ganhou destaque com o jipe Xavante e o BR-800 (Carro Econômico Nacional), financiado por meio de ações lançadas em 1988 que mobilizaram milhares de interessados.
  • O fim veio após mudanças tributárias no governo Collor, que reduziram a vantagem do BR-800; produção encerrou em 1996 e a empresa faliu em 1994.
  • Em 2004, a marca foi adquirida por 850 reais; hoje a Gurgel opera em outras atividades e não guarda relação com a montadora original.

A Gurgel foi fundada em São Paulo, em 1969, pelo engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. Ela se destacou ao desenvolver carrocerias, chassis e motores próprios, tornando-se referência da indústria nacional. Ao longo de 25 anos, a empresa produziu cerca de 40 mil veículos e chegou a exportar para países da América Latina e até para a Arábia Saudita.

Entre os marcos, destacou-se pela inovação tecnológica, com o lançamento de estruturas monobloco em Plasteel e o sistema de tração Selectraction. O Xavante X-12, lançado em 1974, consolidou a marca como exportadora de veículos especiais, além de ter participação relevante no mercado interno com modelos voltados ao uso rural e militar.

Itaipu E150 e o pioneirismo elétrico

Em 1974, a Gurgel apresentou o Itaipu E150, o primeiro carro elétrico feito por uma montadora brasileira e um dos primeiros da América Latina. O veículo urbano de dois lugares utilizava baterias recarregáveis em tomada comum e nasceu em contexto de crise do petróleo. Em 1981, foi lançado o Itaipu E400, um furgão elétrico que equipou frotas públicas. Contudo, as baterias pesadas limitaram a autonomia e a recarga.

O BR-800 e a busca por financiamento

Em 1987, a empresa lançou o projeto Carro Econômico Nacional, que viria a se chamar BR-800, com o motor Enertron de 800 cilindradas. Para financiar a produção, a Gurgel abriu o capital em 1988, buscando aproximadamente 60 milhões de dólares. A campanha envolveu ampla adesão de investidores e contou com apoio público de autoridades.

O golpe fatal do regime tributário

O programa de isenção do IPI para carros com motor de até 999 cilindradas, implementado no governo Collor, atingiu o BR-800 ao equiparar impostos com o Uno Mille, de maior potência. A queda de vendas foi abrupta, levando à paralisação de modelos como o Carajás e ao fracasso do Supermini. A empresa entrou em concordata em 1993 e decretou falência em 1994, com a fábrica de Rio Claro fechando em 1996.

Onde está a Gurgel hoje

O registro da marca expirou em 2003 e, em 2004, foi adquirida por 850 reais por um empresário paulista. Hoje, a Gurgel não mantém relação com a montadora original, atuando com importação de um triciclo diesel chinês destinado ao uso rural e com a fabricação de empilhadeiras em Presidente Prudente, interior de São Paulo. O fundador João Gurgel faleceu em 2009, aos 82 anos, após conviver com Alzheimer.

A trajetória da Gurgel ficou marcada pela ousadia tecnológica, pelo pioneirismo elétrico na região e pela derrota motivada por mudanças políticas e tributárias. O legado inclui o Itaipu E150, o Xavante e as tentativas de ampliar a indústria automotiva brasileira com investimentos públicos e privados.

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