- A indústria automotiva chinesa enfrenta pressão de margens, com guerra de preços, excesso de capacidade e altos custos da transição para veículos elétricos.
- Vendas no mercado interno caíram mais de 20% no 1º trimestre de 2026, e a margem de lucro do setor caiu para 2,9% nos dois primeiros meses do ano.
- Mesmo líderes como BYD registraram queda de lucro em 2025; fabricantes estatais como GAC e SAIC também viram resultados deteriorarem, pressionados por joint ventures e redução de margens.
- Analistas apontam consolidação do setor até 2030, com apenas algumas empresas líderes vendendo acima de 2 milhões de veículos por ano e várias companhias menores saindo do mercado.
- Com foco no exterior, as exportações ganham espaço, mas o setor enfrenta barreiras na União Europeia e tensões geopolíticas que podem moldar estratégias de produção e investimentos.
O setor automotivo chinês vive tensão crescente em 2026. Embora líderes como BYD tenham entregas robustas, o lucro caiu em 2025 e a margem encolheu no início de 2026, com pressão vindo de competição e custos da transição para veículos elétricos.
A queda de lucratividade ocorre mesmo com forte volume de vendas. Em 2025, BYD registrou lucro líquido 19% menor, apesar de receita ter subido. Montadoras estatais como GAC e SAIC também enfrentaram erosão de resultados, puxadas por joint-ventures e demanda fraca.
A indústria aguarda sinalização sobre a consolidação. Executivos de McKinsey e Roland Berger criticam o excesso de fabricantes diante de um mercado que não cresce no mesmo ritmo, estimando que apenas algumas grandes empresas dominarão as vendas até 2030.
No primeiro trimestre de 2026, as vendas domésticas recuaram mais de 20% ante o mesmo período do ano anterior, conforme a Caam. A margem média do setor caiu para 2,9% nos dois primeiros meses do ano, frente a 4,1% em 2025.
Entre as montadoras, BYD teve receita de 804 bilhões de yuans em 2025, mas lucro recuou 19%. Chongqing Changan também aumentou receita, mas lucrou 44% a menos. Geely manteve lucro próximo ao de 2024, porém com margens pressionadas.
A GAC registrou prejuízo líquido de 8,8 bilhões de yuans em 2025, o pior desde abertura de capital em 2012. A queda de vendas de suas joint-ventures, especialmente GAC Honda, foi determinante para o resultado negativo.
A SAIC Motors mostrou recuperação de lucro em 2025, mas com margens de veículos fracas. O desempenho foi impulsionado por forte contribuição da unidade de autopeças, que teve margem bruta de 19,2%.
DORES DE CRESCIMENTO
O fluxo de caixa operacional caiu significativamente para BYD, SAIC e Changan em 2025, com GAC registrando caixa negativo. Apenas Geely e GWM tiveram crescimento desse indicador, destacando o desafio de financiar a transição para novos modelos.
Custos de matérias-primas e semicondutores elevaram o custo por veículo. O preço do carbonato de lítio subiu no segundo semestre de 2025, e os chips de memória também ficaram mais caros, pressionando margens.
O ritmo de renovação de produtos aumenta o peso dos investimentos em P&D. Em 2025, quase 1,3 mil modelos foram lançados na China, com cerca de 200 sendo totalmente novos, elevando a pressão sobre o retorno de investimentos.
OLHANDO PARA O EXTERIOR
Com menor dinamismo interno, empresas chinesas ampliam exportações. BYD ultrapassou a marca de 1 milhão de veículos vendidos no exterior em 2025, ajudando a compensar a fraqueza doméstica. A Chery lidera exportações, com crescimento de 33,2%.
Mercados internacionais ganham espaço, como Tailândia e Austrália, onde marcas chinesas passaram a representar boa parte de pedidos. Na UE, tarifas e propostas regulatórias já criam novos entraves ao investimento chinês.
Wang Lang, da Chery, aponta que depender apenas de exportação de veículos é inviável diante de tensões geopolíticas. A aposta é em ecossistemas industriais mais amplos e produção local globalizada.
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